- O Senado australiano censurou a parlamentar de ultradireita Pauline Hanson por comentários considerados inflamatórios e divisivos sobre muçulmanos, feitos durante debate sobre o possível retorno de parentes de militantes do Estado Islâmico da Síria.
- A moção foi apresentada pela líder do governo no Senado, Penny Wong, do Partido Trabalhista.
- A censura foi aprovada com apoio do partido Greens e de dois senadores do Liberal que cruzaram o plenário.
- Wong afirmou que a censura traça uma linha e envia mensagem de que condenar uma religião inteira não é aceitável; Hanson chamou a ação de “stunt” e deixou o plenário.
- Hanson, senadora de Queensland, conhecida desde os anos noventa por oposição à imigração, já usou burca no Parlamento; pesquisas mostram crescimento de apoio à One Nation, atingindo 28% das intenções de voto.
A Senate austral censurou a senadora Pauline Hanson, líder do partido One Nation, por declarações consideradas inflamatórias e divisivas sobre muçulmanos durante debate sobre o retorno de familiares de militantes do Estado Islâmico da Síria. O incidente ocorreu em Canberra, com repercussão internacional, nesta segunda-feira.
A ação foi apresentada pela líder do governo trabalhista, Penny Wong, e aprovada com o apoio do grupo verde e de dois senadores da oposição conservadora que cruzaram o plenário. A censura expõe a posição oficial do Senado sobre o tom das falas e o tratamento de comunidades religiosas no país.
Segundo Wong, o objetivo é estabelecer um limite claro e enviar mensagem às comunidades religiosas para que não haja generalizações sobre fé e identidade. Hanson qualificou a medida como suposta encenação e deixou a casa em meio a tensão no plenário.
Hanson, senadora de Queensland, ganhou notoriedade no início dos anos 90 pela forte oposição à imigração asiática e a requerentes de asilo. Ela já protagonizou ações simbólicas, como usar o niqab no Parlamento, numa linha de atuação contrária ao uso público do véu islâmico.
Pesquisas recentes indicam que o partido One Nation tem aumentado a sua votação de base, superando parte da oposição conservadora, em meio a uma agenda anti-imigração. A questão atual reforça o debate sobre discurso público, identidade e polarização no cenário político australiano.
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