- O ministro do Trabalho, Josh Simons, apresentou demissão do governo após o Guardian revelar que ele associou falsamente jornalistas a uma rede “pro-Kremlin” em e-mails ao GCHQ.
- Simons havia pedido desculpas por ficar “surpreso” e “irritado” com a investigação de uma assessoria de relações públicas sobre a atuação jornalística.
- Ele havia trabalhado à frente do think tank Labour Together e foi questionado por ter encomendado a APCO uma apuração sobre repórteres que cobririam falhas de doações políticas.
- O primeiro-ministro avaliou que, embora não tenha violado o código ministerial, a situação seria uma distração e potencial dano reputacional se ele permanecesse no cargo.
- O Guardian também informou que Simons e seu chefe de gabinete enviaram ao National Cyber Security Centre mensagens sugerindo ligações entre repórteres e campanhas de desinformação pró-Rússia, embora não haja evidência confiável de envolvimento desses jornalistas.
O ministro trabalhista Josh Simons entregou seu cargo após a divulgação de que vinculou falsamente jornalistas a uma suposta rede pró-Kremlin em e-mails direcionados ao GCHQ. A revelação ocorreu após o Guardian reportar as afirmações do ministro sobre uma investigação de uma empresa de relações públicas sobre a atuação de repórteres.
Simons, que atuava no gabinete do governo, também foi presidente do think tank Labour Together. Ele anunciou a renúncia no sábado, alegando que sua permanência no governo seria distrativa para o trabalho do governo. O deputado de Makerfield enfrentava pressão crescente pela participação do Labour Together na contratação da APCO para investigar jornalistas.
O assunto chegou a sofrer análise formal pelo assessor independente de padrões ministeriais, Sir Laurie Magnus. O relatório não concluiu que Simons cometeu infração ao código ministerial, mas apontou que sua permanência geraria distração e dano reputacional. A decisão de deixar o cargo foi comunicada após esse parecer.
Origem das controvérsias
A imprensa informou que Simons encomendou e revisou pessoalmente o relatório da APCO sobre jornalistas que cobriam o financiamento do think tank. O incidente envolve alegações lançadas pela APCO sobre veículos de imprensa, que foram consideradas infundadas pelo público.
Mais recentemente, o Guardian registrou que Simons e o chefe de sua assessoria enviaram ao NCSC (National Cyber Security Centre) informações sobre repórteres, sugerindo vínculo com campanha de desinformação ligada à Rússia. Também houve envio de um resumo do relatório da APCO aos responsáveis pela segurança.
Ainda segundo as matérias, foram citados repórteres do Sunday Times como alvo de ligações com grupos reconhecidos por tentar associá-los a redes pró-Kremlin. Não há evidências confiáveis de que os jornalistas estivessem envolvidos em campanhas pró-Rússia.
Entre na conversa da comunidade