- A questão central não é quem substitui o líder iraniano, mas quem está hoje mais bem posicionado para decidir o relevo, em uma prova de coesão entre instituições, facções e aparatos de segurança.
- A transição não seria apenas constitucional; seria uma avaliação de equilíbrio entre a Oficina do líder, os corpos de segurança, o aparato clerical e as instituições de arbitraje político.
- Alí Larijani aparece como figura-chave por sua função prática de ligar segurança, gestão política e interlocução externa; Ali Shamjani, secretário do Conselho Nacional de Defesa, também ganha importância por sua experiência operacional.
- Bagher Ghalibaf representa a dimensão securitária com fachada institucional e seria crucial para administrar a narrativa de estabilidade e reforçar o controle durante qualquer transição.
- A rede de lealdades ao redor do líder, com destaque para a Guarda Revolucionária, continua essencial; o objetivo provável é continuidade e desescalada parcial, não uma redefinição radical do sistema.
En Irã, o tema central não é quem emerge como líder amanhã, mas quem tem margem de manobra para gerir um eventual relevo. A crise em curso é uma prova de coesão entre instituições, facções e aparatos de segurança.
A ideia de transição envolve a Assembleia de Especialistas, porém a decisão real dependeria do equilíbrio entre a Office do Líder, forças de segurança, clericalidade e órgãos de arbitraje político. O desenho do poder é mais complexo que uma única indicação.
Mapa de poder
Alí Larijani, secretário do Conselho de Segurança Nacional, surge como peça-chave pela função prática de coordenar canais entre segurança, gestão política e interlocução externa. Seu peso está na habilidade de ordenar o terreno, não apenas na ideologia.
Ali Shamjani, secretário do Conselho Nacional de Defesa desde 2025, aponta para prioridade operacional com foco em evitar vazios de mando. Sua atuação indica a busca por continuidade entre defesa, estratégia e diplomacia.
Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento, representa a face visível do domínio securitário com institucionalidade. Contribui para traduzir a lógica de segurança em discurso público e sinaliza para o exterior a estabilidade interna.
Sadegh Larijani atua como árbitro institucional, com influência em órgãos de supervisão legislativa. O vínculo com Ali Larijani reforça redes de confiança de longa data e controle de fluxos decisórios.
Papel da Guarda Revolucionaria
A Guarda Revolucionária (Pasdaran) permanece como ator indispensável. Embora nem sempre apareça publicamente, sua aceitação é crucial para uma transição ordenada. O objetivo é manter prerrogativas e evitar debates sobre a natureza do sistema.
Essa rede de lealdades ao redor do líder é o elemento mais sensível. A segurança, especialmente, condiciona o ritmo de qualquer mudança. O equilíbrio entre continuidade e controle molda as opções disponíveis.
Implicações internacionais
A prioridade da elite parece preservar a continuidade, limitando o espaço para grandes reconcilações. Espera-se, no máximo, reduções de risco, ganho de tempo e negociações pontuais de alívio, não uma mudança estratégica na relação com o exterior.
Em resumo, o cenário aponta para uma transição controlada, com foco em estabilidade e gestão de crises. Mesmo com mudanças de nomes, o objetivo central é demonstrar que existe continuidade institucional afinal.
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