- O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã desde 1989, morreu aos 86 anos em ataques aéreos de Israel e dos Estados Unidos que atingiram o seu complexo central em Teerã, segundo a mídia estatal.
- Sob seu governo, o Irã se tornou uma força anti-EUA no Oriente Médio, ampliando influência militar na região e reprimindo protestos internos.
- Khamenei manteve posição firme contra Washington, rejeitando normalização de relações e criticando as políticas dos EUA ao longo de seu mandato.
- Seu governo apoiou o que ficou conhecido como eixo de resistência, fortalecendo aliados regionais e o programa nuclear, que já foi objeto de negociações internacionais desde o acordo de 2015.
- A gestão de Khamenei enfrentou protestos internos significativos, além de pressões e conflitos com Israel e os Estados Unidos, intensificados nas últimas décadas.
Ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do Irã desde 1989, morreu aos 86 anos em decorrência de ataques aéreos que atingiram o centro de Teerã, segundo a imprensa estatal iraniana. O governo de Israel e os Estados Unidos foram responsabilizados pela ofensiva que diz ter eliminado o principal líder do regime.
A ofensiva ocorreu após décadas de impasse diplomático sobre o programa nuclear iraniano. O Irã era visto como uma potência regional com forte influência entre grupos alinhados a partir de operações militares e apoio político. O anúncio estatal confirmou a morte, sem detalhar responsabilidades adicionais.
Khamenei chegou ao poder após a morte de Ruhollah Khomeini, fundador da república islâmica, em 1989. Embora tenha sido considerado reservado no início, consolidou um controle estreito sobre o aparato político e militar do país, incluindo a Guarda Revolucionária.
Sob seu comando, o Irã ampliou seu peso regional, apoiando milícias xiitas no Iraque e no Líbano, e apoiando o governo sírio de Bashar al Assad. Em paralelo, manteve uma postura fortemente adversa aos Estados Unidos e a Israel.
O QUE TROUXE O REGIME
Khamenei sempre negou que o programa nuclear iraniano visasse a produção de armas. Em 2015 apoiou de forma cautelosa o acordo nuclear que limitou o programa em troca de alívios econômicos. Com a saída dos EUA em 2018, a tensão se intensificou.
Durante os anos, o líder criticou Washington com frequência, especialmente em períodos de crise diplomática. Em 2025, quando o governo americano buscou um novo acordo, ele manteve uma retórica firme contra o envolvimento externo.
A autoridade de Khamenei incluía nomeação de figuras-chave, controle das forças armadas e influência sobre decisões judiciais e de segurança. Seu regime enfrentou protestos internos, com relação às liberdades civis e a resposta estatal a dissidências.
Desdobramentos regionais
A liderança de Khamenei estimulou o que ficou conhecido como eixo de resistência, alinhando Teerã a grupos na região. Esse alinhamento perdurou por décadas, apesar de os ventos políticos internos e externos terem alterado o equilíbrio regional.
Em 2024, a sequência de conflitos com Israel e ataques na região expuseram vulnerabilidades do Irã, com impactos na atuação de seus aliados. A região viu uma série de ciclos de escalada militar que se estenderam ao longo de anos.
O Irã permanece diante de incertezas políticas internas e de um ambiente de segurança regional tenso, agravado por ataques aéreos e pressões diplomáticas. O legado de Khamenei envolve a consolidação de um modelo de poder que uniu, sob severa austeridade, controle interno e resistência externa.
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