- Eduardo Bolsonaro soube desde novembro do ano passado que Darren Beattie, assessor de extrema-direita crítico ao governo Lula, seria escolhido pelo governo de Donald Trump como assessor especial para assuntos do Brasil no Departamento de Estado.
- Ele já havia coordenado uma ação para impor punições aos EUA com o objetivo de favorecer a anistia de Jair Bolsonaro em processos criminais, e mantém aproximação com Beattie e o irmão Flávio Bolsonaro.
- Em seis de novembro, durante visita a Washington, Eduardo informou ao UOL sobre a promoção de Beattie, notícia já divulgada pela Reuters; a coluna apurou que Beattie atua no cargo há semanas.
- A nomeação sugere que a relação entre Lula e Trump segue cordial em nível alto, mas há dificuldades diplomáticas nos escalões inferiores, com a prioridade de cooperação no combate ao crime organizado sob responsabilidade de Ricardo Pita.
- Beattie e Pita já fizeram críticas públicas ao Brasil; Pita deve conduzir, ao menos em parte, negociações sobre terras raras e minerais críticos, com participação de autoridades norte-americanas em fórum previsto para março.
Eduardo Bolsonaro afirmou ter conhecimento, desde novembro do ano passado, de que Darren Beattie seria escolhido por Donald Trump para assessoria especial em assuntos do Brasil no Departamento de Estado. A informação foi veiculada pela Reuters e confirmada por fontes da administração norte-americana.
Segundo a apuração, Eduardo coordenou uma campanha junto ao governo dos EUA para impor punições ao Brasil com o objetivo de favorecer a anistia de Jair Bolsonaro nos processos criminais. O ex-deputado mantém contato estreito com Beattie e outros integrantes do governo, aproximando-os de Flávio Bolsonaro.
Em 6 de novembro, durante visita a Washington D.C., Eduardo informou ao UOL sobre a promoção de Beattie. A notícia publicada hoje pela Reuters também aponta que o assessor já atuaria na função há semanas, segundo outras fontes da gestão Trump.
Contexto diplomático
A nomeação indica continuidade de tensões entre Brasil e EUA em temas diplomáticos de baixo escalão, mesmo com sinais de distensão entre os governos de Lula e Trump. O histórico de desentendimentos envolve divergências ideológicas em áreas como cooperação antiterrorismo e comércio.
Há uma semana, o UOL havia mostrado que diplomatas norte-americanos acusaram o Brasil de ter perdido prazo em negociações para cooperação no combate ao crime organizado. O Itamaraty rebateu as críticas, mantendo o diálogo aberto.
Outros nomes e cenário
Ricardo Pita, apontado como assessor da pauta de cooperação no combate ao crime organizado, é citado como responsável por parte das negociações sobre terras raras e minerais entre os dois países. Pita também tem sido figura pública crítica ao atual governo brasileiro na gestão Trump.
Pita e Beattie proferiram declarações públicas críticas ao Brasil desde o ano passado, aumentadas após medidas de Trump como tarifas sobre produtos brasileiros e a aplicação de sanções sob a Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.
Beattie, ligado a figuras como Matt Gaetz, já ocupou funções diplomáticas de alto nível e foi responsável por notas consideradas agressivas por diplomatas brasileiros, incluindo ataques a autoridades como o ministro Alexandre de Moraes.
O governo brasileiro reage com cautela a esses anúncios, buscando equilíbrio em meio a um ano eleitoral. A expectativa é de que encontros entre Lula e Trump, previstos para março, definam o tom de anúncios e parcerias futuras.
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