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Washington pressiona Síria a migrar de sistemas de telecomunicações chineses

EUA pressionam Síria a abandonar tecnologia chinesa em telecomunicações, citando riscos de segurança e controles de exportação, enquanto buscam parcerias com firmas americanas

Syrian President Ahmed al-Sharaa attends the Ministry of Awqaf conference titled "Unity of Islamic Discourse" at the Conference Palace in Damascus, Syria, February 16, 2026. REUTERS/Khalil Ashawi/File Photo
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  • Os Estados Unidos alertaram a Síria para não depender de tecnologia chinesa em telecomunicações, citando segurança nacional, em reunião não divulgada em São Francisco entre equipe do Departamento de Estado e o ministro sírio das Comunicações, Abdulsalam Haykal, na terça-feira.
  • Washington tem coordenado com Damasco desde 2024, após a saída de Bashar al-Assad; a Síria avalia importar tecnologia chinesa para torres e infraestrutura de provedores de internet.
  • O lado americano pediu clareza sobre os planos do ministério em relação a equipamentos chineses; entraves incluem controles de exportação e suposta “superconformidade”.
  • O ministério sírio disse que decisões sobre equipamento são tomadas conforme padrões técnicos e de segurança, e que há interesse em diversificar parcerias e fontes tecnológicas.
  • A Huawei domina mais de 50% da infraestrutura da Syriatel e MTN; a Síria busca atrair investimento, com a Saudi Telecom Company anunciando investimento de 800 milhões de dólares para fortalecer infraestrutura e conectividade regional. A rede ainda é precária fora de centros urbanos.

O governo dos Estados Unidos pediu a Síria que não dependa de tecnologia chinesa em seu setor de telecomunicações, alegando riscos à segurança nacional e aos interesses norte-americanos. A abordagem foi apresentada a partir de informações de três pessoas com conhecimento direto do assunto.

Um time do Departamento de Estado dos EUA manteve uma reunião não divulgada com o ministro sírio das Comunicações, Abdulsalam Haykal, em San Francisco, na terça-feira. A discussão ocorreu num momento de coordenação entre Washington e Damasco desde 2024, após mudanças no governo sírio.

A Síria avalia a possibilidade de adquirir tecnologia chinesa para suportar torres de telecomunicações e a infraestrutura de operadoras locais, segundo um empresário sírio envolvido nas negociações. O objetivo seria diversificar fornecedores.

Pressão dos EUA e posição de Damasco

Funcionários americanos teriam pedido clareza sobre os planos do ministério quanto aos equipamentos chineses. Também houve menção a controles de exportação dos EUA como entrave ao mercado de telecomunicações.

Um diplomata dos EUA afirmou que Washington tem enfatizado o uso de tecnologia norte-americana ou de países aliados no setor. Não ficou claro se houve promessa de apoio financeiro ou logístico aos sírios.

Contexto econômico e cenário técnico

O Ministério das Comunicações sírio informou que decisões sobre equipamentos seguem padrões técnicos e de segurança, com foco na proteção de dados e na continuidade dos serviços. A diversificação de parcerias é vista como prioridade.

Ao longo dos anos, a infraestrutura de telecomunicações da Síria depende principalmente da tecnologia chinesa, em razão de sanções norte-americanas durante o conflito que se estende desde 2011. Huawei figura como fornecedora dominante para as operadoras locais.

Perspectivas e investimentos

A Síria busca desenvolver o setor privado de telecomunicações, ainda abalada pela guerra de 14 anos. Em fevereiro, a STC, maior operadora saudita, anunciou investimento de US$ 800 milhões para reforçar infraestrutura e conectar o país regionalmente por uma rede de fibra óptica de mais de 4.500 quilômetros.

O ministério sírio da Telecomunicações ressaltou que restrições americanas afetam a disponibilidade de tecnologias e serviços no mercado sírio, mas que há abertura para ampliar cooperação com empresas dos EUA quando houver flexibilização das sanções.

Panorama técnico e social

A rede síria apresenta cobertura limitada fora dos grandes centros e velocidades de conexão abaixo de alguns kilobits por segundo em várias regiões. O governo reforça a necessidade de ampliar o acesso e a confiabilidade dos serviços para a população.

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