- Kim Jong-un afirmou, no IX Congresso do Partido dos Trabalhadores, que pretende ampliar e reforçar a força nuclear da Coreia do Norte, com foco em aumentar o número de ogivas e os meios operacionais.
- Disse que a porta para negociações com os Estados Unidos continua aberta, desde que Washington recue da “política hostil” e respeite a posição da Coreia do Norte como potência nuclear.
- Reiterou que a desnuclearização não está em negociação e que as perspectivas de relação com os EUA dependem da atitude de Washington.
- O regime afirma ter cerca de cinquenta ogivas e material suficiente para produzir até quarenta a mais, com produção de material fisível em aceleração, conforme estimativas do SIPRI.
- O desfile de encerramento do Congresso mostrou Kim observando o evento, acompanhado de militares; a filha Kim Ju-ae esteve presente em posição simbólica.
Kim Jong-un encerrou nesta semana o IX Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia, em Pyongyang. O líder conduziu a leitura do relatório de trabalho e participou de um desfile militar na capital, encerrando o evento com uma mensagem sobre a continuidade das forças nucleares.
Segundo a leitura publicada pela imprensa estatal, o Partido pretende ampliar a força nuclear e avançar em projetos para aumentar o arsenal e ampliar os meios operacionais. O objetivo é fortalecer a autodefesa e os interesses do país.
Kim Jong-un foi reelegido no cargo de secretário-geral do partido e, nos últimos dias, teve a imagem exaltada pela propaganda estatal como líder central do regime. O texto aponta dedicação ao fortalecimento nuclear como prioridade nacional.
Perspectivas de negociação com os EUA
O líder afirmou que não há razão para impedir um diálogo com os Estados Unidos, desde que a potência norte-americana abandone a política considerada hostil e respeite a posição nuclear norte-coreana, conforme a constituição do país. A declaração condiciona qualquer negociação à desnuclearização.
Analistas ressaltam que Kim já sinalizou disposição a conversar com Washington apenas se a desnuclearização ficar fora da mesa de negociações. A ideia é manter a posição de que a Coreia do Norte é uma potência atômica irreversível.
Ainda conforme o discurso, as perspectivas de diálogo dependem da atitude dos EUA. Alguns observadores comentam sobre a possibilidade de encontro entre Kim e Trump caso haja movimento diplomático em direção a China, em meio a visitas do ex-presidente republicano ao país asiático.
O texto também cita a Coreia do Sul como inimigo declarado, recusando negociações sob a atual postura. Alega que a atitude do governo sul-coreano, de uma suposta conciliação, é apresentada como farsa pela liderança norte-coreana.
A Coreia do Norte afirma que sua posição como potência nuclear se consolidou, sendo descrita como instrumento de segurança para proteger o desenvolvimento do país. O regime sustenta que o arsenal deve assegurar soberania e direitos de desenvolvimento.
Estimativas do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo apontam que a Coreia do Norte teria cerca de 50 ogivas, com material suficiente para até 40 adicionais, enquanto avança na produção de material fisível.
Desfile e símbolos
No encerramento do Congresso, Kim observou o desfile com um sobretudo preto, ao lado de oficiais militares. Fotografias oficiais mostram tropas marchando na praça Kim Il-sung, em Pyongyang, com a presença de militares de alto escalão e a filha Kim Ju-ae ao fundo, despertando expectativas sobre eventual sucessão.
O desfile apresentou soldados a pé e a cavalo, mas não exibiu equipamentos militares de grande porte nem armas estratégicas, conforme as imagens divulgadas pela mídia estatal.
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