- Os EUA pressionam para reativar o diálogo entre Marrocos e o Frente Polisário em Madrid, buscando um acordo marco até maio.
- A ONU descreve as recentes reuniões em Washington como alentadoras, mas alerta que a autodeterminação dos saharauis continua em aberto.
- Na mesa estão o governo de Marrocos, o Polisário, além de representantes de Argélia e Mauritânia; o mediador da ONU, Staffan de Mistura, copreside as conversas.
- Marrocos apresentou um texto ampliado de estatuto de autonomia para o Sáhara, com governo e parlamento autônomos, polícia regional e salvaguardas, inclusive restrições sobre a bandeira própria.
- Fontes citadas na imprensa indicam que os EUA sugerem um período transitório de cinco a dez anos para a implementação da autonomia, com possível consulta popular sobre o acordo marco.
Estados Unidos intensificaram a pressão diplomática para acelerar um acordo sobre o Sahara Ocidental, buscando um marco político entre Marrocos e o Frente Polisário. A atividade ocorreu em Washington, Madrid e outras etapas, com foco em uma eventual solução.
O encontro mais recente ocorreu em Madrid, nos dias 8 e 9 de fevereiro, após um primeiro contato em Washington em janeiro. O objetivo é avançar para um acordo marco em maio, com uma hoja de ruta que guie futuras negociações.
O enviado das Nações Unidas para o Sahara Ocidental, Staffan de Mistura, copresidiu as reuniões em Washington junto ao embaixador dos EUA na ONU, Michael Waltz. Massad Boulos, assessor do presidente Trump para assuntos africanos e do mundo árabe, também participou.
A ONU descreveu as reuniões como alentadoras, mas ressaltou a necessidade de trabalho adicional para chegar a um acordo mutuamente aceitável. A representante Stepháne Dujarric disse que temas centrais incluíram a autodeterminação do povo saharaui, com base na proposta de autonomia marroquina.
Na mesa de negociação, participam Nasser Bourita, chefe da diplomacia marroquina; Mohamed Yeslam Beissat, do Polisário; Ahmed Attaf, da Argélia; e Mohamed Salem Uld Merzuk, de Mauritânia. O objetivo é manter pressão diplomática sobre o conflito.
Abdula Arabi, representante do Polisário na Espanha, afirmou que a via de autodeterminação com referendo, incluindo independência, permanece em discussão. Ele disse que a ONU pediu reiniciar o processo político sem condições prévias, conforme resolução 2797.
Marrakech apresentou uma versão ampliada do estatuto de autonomia para o Sahara. O texto prevê governo e parlamento autônomos, polícia regional e limitações, como a proibição de uma bandeira autônoma própria. O rei reserva certos poderes de investidura.
Fontes diplomáticas citadas por ECSaharaui indicam que os EUA propõem um período transicional de cinco a dez anos para a implementação da autonomia, com consulta popular sobre o acordo marco. A questão do censo eleitoral ainda permanece como ponto sensível entre as partes.
Censo e contexto histórico
O Polisário sustenta usar o censo espanhol de 1974, que registrou cerca de 75 mil saharauis, como base para votantes. A MINURSO já estimou até 130 mil potenciais eleitores entre 1991 e 2007, quando as inscrições cessaram. Marrocos defende um censo atualizado com aproximadamente um milhão de habitantes.
A situação marca o 50º aniversário da retirada das tropas espanholas do Sahara, após a Marcha Verde de 1975. A ONU afirma que a Espanha não é mais potência administradora do território, mantendo, porém, controle sobre o espaço aéreo da região a partir de Canarias.
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