- Um relatório conclui que algumas unidades de parto na Inglaterra recorrem ao “encobrimento” de erros, falsificando prontuários e negando respostas às famílias enlutadas.
- O estudo atribui consequências emocionais graves a pacientes e famílias e aponta conflitos entre equipes que afetam mães, além de piores resultados para mulheres étnicas minoritárias e mais pobres.
- A falta de profissionais amplia atrasos no atendimento, impede partos domiciliares, consultas rápidas e indução de parto, além de dificultar o contato com médicos e o acompanhamento pós-parto.
- O relatório critica os hospitais por resistência à transparência e por emendas ou redações de notas médicas, dificultando a apuração dos fatos e a learning process.
- O governo encomendou a apuração após casos de escândalos anteriores; dois inquéritos — Nottingham e Leeds — investigam várias ocorrências, e uma força-tarefa será criada para implementar as recomendações.
A auditoria comandada pela ex-ministra do Labour, Baronessa Helen Amos, aponta que unidades de maternidade no NHS frequentemente ocultam erros graves durante o parto. O relatório indica que registros médicos são falsificados ou alterados para encobrir falhas no atendimento.
Segundo o estudo, cuidados negligentes trazem consequências emocionais profundas para as famílias, com disputas entre equipes de obstetrícia tendo efeito devastador sobre as mães. Mulheres de grupos étnicos minoritários e de baixa renda apresentam piores desfechos por racismo e discriminação, aponta o documento.
O relatório, encomendado pelo secretário de Saúde, Wes Streeting, foi preparado após meses de depoimentos a centenas de famílias e profissionais. A conclusão é de que o sistema não funciona para pacientes, famílias nem para os profissionais.
A queixa central é de que trusts do NHS parecem recorrer ao sigilo em vez de esclarecer o que houve. Há relatos de notas médicas alteradas, recusas de acesso a documentos e resistência das instituições a envolver famílias nas investigações.
O documento ressalta que a carência de equipes afeta todas as etapas do cuidado: atraso na avaliação, demora em cirurgias cesáreas e indução do parto, além de limitar opções como partos domiciliares por falta de maternidades disponíveis.
Em consequência, mães são enviadas para casa após o parto sem avaliação adequada e encontram dificuldades para obter orientações quando ligam para obter aconselhamento. A falta de pessoal agrava o problema.
O relatório de 35 páginas critica os trusts por não aprenderem com escândalos passados de maternidade. Baronesa Amos afirma que o sigilo agrava traumas de famílias que vivenciaram erros ou atendimento inadequado.
A reportagem cita casos de famílias que sentiram que notas clínicas surgiam apenas de forma tardia ou retroativamente, com informações incompletas ou imprecisas. Em alguns relatos, notas reapareciam sem explicação anos depois.
A iniciativa de Amos se estende a investigações independentes sobre serviços de maternidade e neonatologia na Inglaterra. Ainda não há data final para o relatório definitivo, com novas investigações em Leeds e outros locais em curso.
Representantes de organizações de pacientes, como o AvMA, descrevem que a ocultação de registros demonstra o tamanho do desafio para melhorar os serviços. Eles ressaltam que a prática agrava o sofrimento das famílias.
O governo busca ações. Streeting afirmou que será criado um grupo de trabalho para planejar uma reformulação dos cuidados de maternidade com base nas recomendações de Amos. O objetivo é reduzir falhas e aumentar a transparência.
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