- Servidores do IBGE divulgaram uma carta aberta com abaixo-assinado pedindo autonomia institucional e mudanças no modelo de escolha da presidência.
- O movimento denuncia ações de represália e pressões internas na gestão de Marcio Pochmann, indicado pelo presidente Lula, aumentando a crise no órgão.
- A Assibge-SN afirma que a insatisfação é generalizada e aponta desrespeito ao saber acumulado dos servidores e a uma gestão considerada desastrosa.
- O documento cita mais de vinte desligamentos entre 2023 e 2024 e destaca que, em janeiro de 2026, houve ruptura no núcleo da produção estatística, incluindo a saída de Rebeca Palis.
- Propõe a adoção de uma lista tríplice para a presidência, eleita pelos servidores, e faz referência à PEC 27/2021, que defenderia maior autonomia técnica e orçamentária do IBGE e de outras instituições.
O IBGE enfrenta uma crise interna após a divulgação de uma carta aberta acompanhada de um abaixo-assinado. Servidores denunciam ações de represália na instituição e defendem maior autonomia institucional, além de mudanças no modelo de escolha de sua presidência. O movimento ocorre sob a gestão de Marcio Pochmann, indicado pelo presidente Lula no início desta gestão.
Segundo o documento obtido pelo jornal O Globo e confirmado pela Gazeta do Povo, o impasse ganhou força nos últimos meses com exonerações e pressões internas. Os signatários destacam que o conflito não é meramente ideológico, mas envolve a preservação da credibilidade técnica do IBGE, instituição de Estado.
A carta ressalta que o IBGE não pertence a governos, mas à República, e alerta sobre riscos à credibilidade institucional caso haja desvio de critérios técnicos. Os servidores defendem transparência, participação técnica e preservação da autonomia na coleta, tratamento e guarda de informações.
A atuação da gestão atual, segundo o documento, tem causado substituições de quadros experientes em áreas estruturantes. Em 2023 e 2024, mais de 20 servidores teriam sido afastados ou desligados por discordâncias técnicas ou de conformidade com a gestão vigente.
Entre os casos citados, a saída da coordenadora de Contas Nacionais, responsável pela construção de bases do PIB, é apontada como símbolo de manejo político sobre decisões técnicas. O texto aponta fragilização da memória institucional do IBGE.
O abaixo-assinado destaca o papel central do IBGE na formulação de políticas públicas, como o cálculo do PIB, a inflação e a realização de censos. O documento sustenta que menor credibilidade do IBGE atinge orçamento, relações federativas e segurança jurídica do Estado.
Os signatários defendem que a presidência do IBGE não seja mais indicação direta do presidente da República, sugerindo uma lista tríplice eleita pelos próprios servidores. A proposta já existe em outros órgãos públicos e é citada para ampliar autonomia.
O manifesto também cita a PEC 27/2021, que propõe transformar órgãos como IBGE e outras entidades em instituições permanentes de Estado, com maior autonomia técnica e orçamentária. Os signatários defendem salvaguarda estrutural da autonomia do instituto.
O IBGE foi procurado pela reportagem para comentar o manifesto e ainda não houve retorno. A Assibge-SN afirmou que o movimento reforça reivindicações já apresentadas por oferecer insatisfação generalizada entre servidores.
Entre na conversa da comunidade