- Em 2025, mais de 17.400 egípcios chegaram irregularmente à Europa, aumento de mais de cinquenta por cento em relação a 2024; foram o grupo africano mais numeroso, segundo a OIM, com queda de aproximadamente vinte e seis por cento nas chegadas totais observadas pela Frontex.
- A principal via de entrada foi o Mediterrâneo Central, de Libia para a Itália, especialmente a Sicília.
- A segunda rota mais utilizada foi o Mediterrâneo Oriental, de Libia oriental para a Grécia, principalmente a ilha de Creta.
- Entre os fatores que empurram a migração estão a economia instável, a falta de oportunidades e redes de tráfico; há também migração de menores não acompanhados em alguns casos.
- O percurso é arriscado e muitos não conseguem completar a travessia, com relatos de detenções, deportações e, em alguns naufrágios, mortes; o caso de repatriações de egípcios a Libia também foi citado.
A falta de oportunidades leva egípcios a migrar irregularmente para a União Europeia. Em 2025, a ONU registrou a chegada de mais de 17.400 cidadãos do país, desempenho 50% superior ao de 2024, impulsionado pela pressão econômica e perspectivas incertas de futuro.
Ahmed, jovem egípcio de 25 anos, relata que tentou encontrar trabalho em Libia. Chegou em julho e não encontrou empregos não precarizados. Três meses depois, sem renda e com dívida, decidiu viajar para a Europa, após reunir 300 mil libras egípcias (cerca de 5.300 euros).
O estudante de migrante descreve que chegou à Itália em dezembro, após a jornada pelo Mediterrâneo. Afirma estar com dificuldade para se manter e ver o cenário como uma última alternativa diante da falta de oportunidades em casa.
Dados da Organização Internacional para as Migrações indicam que os egípcios foram o grupo mais numeroso entre os migrantes de origem africana que ingressaram irregularmente na UE em 2025, ocupando o segundo lugar no ranking global. Ao todo, passaram pela fronteira mais de 17.400 egípcios, alta de mais de 50% em relação a 2024.
A Frontex aponta que, apesar do aumento de entradas, o total de chegadas irregulares na UE caiu cerca de 26% no ano, quando comparado a 2024. A principal rota continua sendo o Mediterrâneo Central, de Libia a Itália, com foco em Sicilia, seguida pela rota do Mediterrâneo Oriental, do leste de Libia para a Grécia, sobretudo Creta.
Acnur aponta que a maior parte das migrações irregulares é estimulada pela proximidade geográfica e pelas redes de tráfico existentes na região. Embora muitos egípcios migrem legalmente, por meio de vistos, há também um contingente expressivo de jovens que não tem alternativa além de optar pelo trajeto arriscado.
Especialistas destacam que fatores de empuxo incluem uma economia desigual, oportunidades limitadas e a busca por uma vida em condições mais estáveis. O diretor executivo da Plataforma de Refugiados no Egito ressalta que a visão de futuro para crianças e adolescentes no país é especialmente sombria.
Enquanto alguns países elogiam sinais de recuperação econômica e estabilização da moeda egípcia, muitos cidadãos enfrentam inflação elevada e baixos salários. O salário mínimo permanece próximo de níveis baixos, e áreas como educação e saúde sofrem com longas defasagens, contribuindo para o desalento entre jovens.
O governo egípcio anunciou, no início de 2025, repatriações de mais de 3.000 egípcios provenientes da Libia por entrada irregular, além de liberar mais de 1.200 detidos e recuperados, e repatriar mais de 300 corpos de vítimas de naufrágios. Um dos naufrágios mais graves ocorreu no fim de julho, frente à costa libanesa, com cerca de 80 migrantes e apenas 10 sobreviventes.
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