- Rohan Pike, ex-funcionário da Alfândega Australiana, atua como consultor e é visto como especialista em tabaco ilícito, além de assessorar organizações ligadas à indústria de nicotina.
- Em maio ele foi nomeado assessor de comércio ilícito do Global Institute for Novel Nicotine Products (GINN); Pike afirma não receber financiamento da organização.
- ativistas de saúde pública dizem que é preciso mais transparência sobre ligações com a indústria para evitar influências indevidas em debates e consultas governamentais.
- Pike tem histórico de associação com a Australian Retailers Association (ARA) e com o grupo Retail and Trade Brands Advocacy (RTBA), além de encontros com autoridades de Filipinas e Nova Zelândia.
- especialistas destacam que políticas de tabaco exigem padrões rígidos de conflito de interesse; o mercado ilícito de tabaco vem aumentando, com estimativas de elevada participação no mercado.
Rohan Pike, ex-funcionário da Australian Border Force, foi recentemente designado como consultor de illicit trade para o Global Institute for Novel Nicotine Products (GINN). A nomeação, anunciada em maio, levanta questionamentos sobre vínculos entre especialistas e a indústria de tabaco e nicotina.
Defensores da saúde pública dizem que a relação de Pike com organizações ligadas a nicotina pode influenciar o debate público. Eles destacam a necessidade de maior transparência sobre vínculos entre especialistas independentes e a indústria.
Pike tem atuado como comentador de imprensa sobre comércio ilícito de tabaco e defende políticas alinhadas aos interesses do setor, como a não elevação de impostos sobre cigarros e a legalização de nicotina em sachês. Ele afirma não receber recursos da GINN.
A GINN é uma associação britânica que representa fabricantes de produtos de nicotina alternativos, incluindo sachês e dispositivos de aquecimento. Pike sustenta que seu trabalho pretende acrescentar valor à organização, sem indicar recebimento financeiro.
Becky Freeman, especialista da Universidade de Sydney, aponta que vínculos entre especialistas e indústria devem ser explícitos para evitar distorções. Ela afirma que governos precisam entender se as vozes são independentes.
Especialistas lembram que políticas de tabaco e nicotina seguem normas de conflito de interesse, dado o impacto global da indústria na saúde pública e as pressões históricas para moldar debates por meio de financiamentos indiretos.
No âmbito internacional, casos recentes mostram repasses de fundos de trade bodies a advocacy para políticas de controle de tabaco, o que reforça a necessidade de divulgação ampla de relações com o setor.
Pike também figura como integrante de grupos de defesa Comercial e de Varejo, que promovem posições favoráveis à venda de tabaco. Questiona-se se esses laços influenciam recomendações políticas de governos.
Em seu trabalho com governos de países como Filipinas e Nova Zelândia, Pike sugeriu que aumentos de impostos sobre cigarros podem estimular o comércio ilícito e defendeu a legalização de sachês de nicotina. Tais posições são alvo de escrutínio entre autoridades e jornalistas.
Em resposta, Pike afirma que sua atuação decorre de uma experiência de mais de 25 anos na área de segurança e de pesquisas sobre comércio ilícito, sem recebimento de financiamento da GINN. Ele também diz que não houve pagamentos de empresas de tabaco por seus serviços.
Observadores lembram que o monitoramento de conflitos de interesse deve alcançar toda a imprensa, para que o público tenha acesso a informações sobre possíveis influências externas em análises técnicas e estudos.
Contexto regulatório aponta que a Organização Mundial da Saúde recomenda proteger políticas públicas de tabaco de influências da indústria e promover transparência sobre vínculos com o setor, mesmo quando não há pagamento direto.
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