- A comissão real sobre antisemitismo e coesão social, em Sídney, restringe seu alcance para não prejudicar um eventual processo criminal ligado ao ataque de Bondi, que deixou 15 mortos e 40 feridos no Hanucá.
- A primeira audiência pública ocorreu dez semanas após o ataque, com a comissária Virginia Bell destacando a necessidade de limitar a investigação devido a acusações que já envolvem terrorismo, homicídios e tentativas de homicídio.
- Bell afirmou que o relatório deve ser entregue até o primeiro aniversário do ataque, reconhecendo que a construção de coesão social pode levar anos.
- A definição de antisemitismo seguirá a do International Holocaust Remembrance Alliance (IHRA), incluindo condutas contra judeus, comunidades judaicas e instituições, mas exclui críticas a políticas de Israel como antisemitismo por si só.
- A investigação também incorpora uma revisão de inteligência e segurança, liderada por Dennis Richardson, e convida a sociedade a enviar contribuições, com foco especial em relatos de antisemitismo entre judeus australianos.
O comissário-chefe Virginia Bell abriu a primeira audiência pública da comissão real sobre antisemitismo e coesão social, em Sydney. O objetivo é analisar o ataque em Bondi, ocorrido em 14 de dezembro, durante uma celebração Hanukkah. Ainda não há conclusão sobre o que motivou o ataque ou como os eventos se desenrolaram.
Bell informou que o alcance da investigação será limitado para não prejudicar processos criminais em curso. Um homem já foi acusado de terrorismo, com 15 homicídios, 40 tentativas de homicídio e 40 acusações somadas. O julgamento deverá apresentar evidências do ataque.
Ela ressaltou que o foco será evitar qualquer prejuízo às ações penais, ainda que o tema envolva heroísmo de quem confrontou atiradores e assistência médica aos feridos. A comissária planeja detalhar limitações do escopo com as famílias das vítimas.
Bell também destacou que o trabalho de promover coesão social pode levar anos, mesmo com prazo para entregar o relatório até o primeiro aniversário do ataque. A comissão definirá caminhos para fortalecer a convivência entre diferentes comunidades.
Definições e métodos de análise
A comissão adotará a definição de antisemitismo da Aliança Internacional de Memória do Holocausto, incluindo hostilidade contra indivíduos, instituições judaicas e locais de culto. Criticar políticas não é, por si, antisemitismo.
O órgão vai mapear condutas antissemitas e seus motores na sociedade australiana, revisar como a polícia e as áreas de segurança atuaram e entender as circunstâncias que antecederam o ataque.
Dennis Richardson lidera uma revisão de inteligência e segurança integrada à comissão, visando apoiar a avaliação geral das medidas de proteção à comunidade judaica.
Participação e próximos passos
Lancaster, assessor jurídico sênior, descreveu o ataque de dezembro como um evento verdadeiramente aterrador e reconheceu o trauma causado. A audiência reforçou a importância de ouvir a comunidade judia e outros grupos atingidos pela violência.
A comissão convoca contribuições públicas para enriquecer o estudo sobre antisemitismo, incluindo relatos de cidadãos judeus que já vivenciaram discriminação em escolas, universidades ou locais de trabalho.
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