- Um relatório da Cyabra aponta que a campanha de Nicki Minaj a favor de um eixo conservador foi ampliada por contas falsas no X, entre 11 de novembro e 22 de dezembro.
- Analisando 51 postagens relacionadas à política, foram identificados cerca de 55 mil perfis que interagiram, dos quais aproximadamente 33% (quase 19 mil) seriam falsos.
- O documento destaca uniformidade linguística e de estilo entre contas supostamente falsas, com respostas de apoio usando mensagens muito parecidas.
- Também houve compartilhamento entre contas que promovem os conteúdos de Minaj e de Turning Point USA, sugerindo coordenação entre contas de apoio e figuras conservadoras.
- A Cyabra aponta que há perfis autênticos amplificando as postagens de Minaj, como os influenciadores Dom Lucre e Matt Wallace, e há divergências de posição entre críticos e apoiadores, com reações de ambos os lados.
Nicki Minaj teve uma atuação nas redes associada a uma suposta campanha de desinformação, segundo um relatório recente. O documento analisa a participação da artista no X em ações ligadas a conteúdos políticos, entre 11 de novembro e 22 de dezembro, período em que ela consolidava sua relação com o público conservador.
A apuração, conduzida pela empresa de desinformação Cyabra, avaliou mais de 55 mil perfis que interagiram com 51 publicações “políticas” da artista. Observou-se que cerca de 33% dessas contas eram provavelmente falsas, índice acima do patamar comum de contas falsas em conversas orgânicas.
O relatório afirma que houve atividade coordenada para amplificar o conteúdo político de Minaj, com contas inautênticas apresentando linguagem e mensagens muito semelhantes quando a cantora recebia críticas. Em contrapartida, algumas ações de contas autênticas também amplificaram pontos de vista da artista.
Segundo a Cyabra, houve sobreposição entre perfis que promoviam Minaj e conteúdos de Turning Point USA, grupo conservador. O estudo acrescenta que outros influenciadores conservadores deram voz a parte do material, incluindo críticas a Kendrick Lamar e ao CEO da Universal Music Group.
A Cyabra mencionou ainda que a atuação humana, com padrões de comportamento semelhantes aos de campanhas coordenadas, pode ter contribuído para a visibilidade do conteúdo. O relatório não divulga o custo nem a quem encomendou o estudo.
Diversos agentes envolvidos, entre eles influenciadores conservadores, contestaram as conclusões apresentadas ao Politico. Parte das figuras citadas rebateu a análise, alegando falta de evidências públicas para sustentar a alegação de uso sistemático de bots.
A Cyabra enfatizou que, apesar de haver contas fakes, muitos atores autênticos também contribuíram para a difusão de mensagens associadas à cantora e ao debate político. O documento ressalta a presença de padrões de interação que imitavam conversas reais.
Não há conclusão oficial sobre a existência de uma campanha coordenada de bots ligada a Minaj. O relatório aponta, ainda, que a combinação entre cultura musical e discurso político segue como tema de interesse público para investigações sobre desinformação.
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