- O ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsakhna, afirma que Vladimir Putin está “jogando com Trump e com todo o Ocidente”, tentando apresentar uma imagem de paz enquanto a guerra segue com ataques à energia na Ucrânia.
- Um relatório de inteligência estoniano alerta que a Rússia usa negociações de paz como ferramenta para manipular o Ocidente.
- Tsakhna diz que é evidente mais guerra do que paz e que a Europa precisa aumentar a pressão sobre a Rússia, mantendo apoio a Ucrânia.
- Sobre o novo pacote de sanções da União Europeia, ele propõe tarifas adicionais contra importações da Rússia e Bielorrússia e defende uma lista negra Schengen para ex-combatentes russos.
- Em relação a Cuba, o ministro defende reavaliação da política da UE para endurecer relações, citando apoio cubano à Rússia e o impacto na população cubana.
O ministro de Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsakhna, concedeu entrevista ao jornal El País em que analisa a guerra na Ucrânia, as ações de Moscou e o papel da UE. Ele chegou à entrevista com resfriado leve e estava em Kiev ao retornar de lá, após acompanhar o sofrimento da população durante o inverno da guerra.
Tsakhna afirmou que a Rússia utiliza as negociações de paz como ferramenta para manipular o Ocidente. Segundo ele, Vladimir Putin busca transmitir a imagem de desejo de paz, mas os fatos indicam mais combates e ataques ao setor energético. O ministro ressaltou que a guerra se intensifica, não recua, e citou a resposta de organizações internacionais.
O chanceler também comentou sobre o esforço da UE para ampliar sanções contra a Rússia. Propôs, ao lado de parceiros, aumentar tarifas de importação de Rússia e Bielorrússia, para contornar o impasse de consensos. A ideia é endurecer a pressão sem depender de veto de estados-mônus.
Sobre a crise humanitária, Tsakhna criticou a gestão de desocupados russos próximos de um milhão de pessoas envolvidas em crimes. Propôs criar uma lista negra Schengen para vetar a entrada de desertores no espaço comunitário e destacou a necessidade de cooperação entre os países para ampliar o controle.
O ministro destacou o papel da China como apoio econômico e tecnológico a Moscou, afirmando que a China tem influência suficiente para encerrar a guerra, caso queira, mas não demonstra disposição nesse sentido. Ele disse que a mudança de postura chinesa seria decisiva para o desfecho do conflito.
Em relação a Groenlândia, Tsakhna observou que a Estônia apoia exercícios militares na região, alinhada a outros aliados, sem abandonar princípios de integridade territorial. Também reforçou a posição de que não haverá reconhecimento de mudanças fronteiriças pela força.
Sobre Cuba, o ministro defendeu reavaliação da relação da UE com Havana. Ele argumentou que o regime cubano presta apoio à Rússia e que a população cubana merece melhores condições de vida, o que exige uma resposta comum da UE.
A entrevista ainda citou divergências na UE, com várias iniciativas sobre Cuba. Tsakhna pediu reflexão sobre o peso das sanções e o impacto humano, além de reforçar que a posição europeia deve ser acertada, firme e coordenada, mantendo o objetivo de pressionar Moscou e apoiar a Ucrânia.
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