- Tom Harper, diretor sênior da empresa de relações públicas Apco, escreveu um relatório de 58 páginas sobre os jornalistas por trás de uma matéria de 2023 do Sunday Times sobre doações não declaradas à Labour Together.
- O relatório, encomendado pela Labour Together, afirmou — sem evidência — que a história se baseou em dados hackeados da Comissão Eleitoral vinculados à Rússia, além de analisar posições religiosas e ideológicas de jornalistas e fontes.
- Harper passou a investigar Henry Dyer, correspondente de investigações do Guardian, chegando a buscar informações sobre ele na semana passada, sugerindo possível envolvimento em uma suposta campanha pró-Rússia (sem provas).
- Labour Together pagou à Apco 36 mil libras pela investigação, e a Apco já é alvo de investigação pelo comitê de padrões da Public Relations and Communications Association.
- O debate político envolve pedidos para que Keir Starmer afaste Josh Simons, ex-diretor da Labour Together, após denúncias e uma investigação em curso sobre ligações de jornalistas à inteligência russa; Simons nega as acusações.
Tom Harper, diretor sênior da empresa de relações públicas Apco, escreveu um relatório de 58 páginas que examinava jornalistas envolvidos numa matéria do Sunday Times sobre doações não declaradas a Labour Together. O documento foi encomendado pelo think tank ligado ao Labour de Keir Starmer.
A reportagem da Sunday Times apontou que o estudo sugeria, sem evidências apresentadas, que a matéria recebeu dados hackeados da Electoral Commission e associava o material a Rússia. O relatório também analisou posições religiosas e ideológicas de jornalistas e fontes.
Harper, segundo a reportagem, vem investigando Henry Dyer, correspondente de investigações do Guardian, que tem redesenhado as revelações. Fontes dizem que as investigações ocorreram até recentemente, sem provas que justifiquem ligações a campanhas pró-Rússia.
Investigação em curso e contexto
Apco está sob avaliação do comitê de padrões da Public Relations and Communications Association por investigações sobre jornalistas. A prática ocorre em meio a críticas sobre o papel de Labour Together ao contratar a consultoria para o estudo.
A controvérsia envolve ainda Josh Simons, que foi diretor da Labour Together quando a empresa recebeu 36 mil libras para investigar a origem das doações. Simons é hoje ministro no Cabinet Office e enfrenta questionamentos sobre ligações com informações recebidas por autoridades de segurança.
Repercussões políticas e fontes
Relatos de 2024 mostram que Simons encaminhou versões do relatório à GCHQ, com trechos sobre jornalistas ligados a atividades rumoradas. Documentos internos também citam que Simons descreveu relações entre jornalistas e indivíduos ligados a redes russas, informações negadas pela equipe do ministro.
A reportagem da Guardian teve acesso a materiais que indicam que a história do Sunday Times pode ter se baseado em dados obtidos por fontes dentro do próprio Labour, com alegações de vazamento de arquivos internos. A assessoria de Simons afirmou que as acusações são falsas.
Contexto institucional
Labour Together é apontado como força interna influente no partido, tendo comprado serviços da Apco para apurar a origem de reportagens que impactaram o financiamento do think tank. A relação entre o grupo e o jornalismo investigativo permanece sob escrutínio público e institucional.
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