- A guerra na Ucrânia completa quatro anos desde a invasão em 24 de fevereiro de 2022, com o país exausto, mas resistente a aceitar um acordo de paz que considere aceitável.
- Uma pesquisa aponta que apenas 17,7% dos ucranianos acreditam que o conflito terminará neste ano; muitos esperam garantias reais de segurança antes de qualquer acordo.
- Kiev rejeita ceder território a Rússia, sobretudo Donetsk, e cobra garantias de segurança a longo prazo para evitar novas agressões.
- Putin não alcançou seus objetivos estratégicos; especialistas veem a guerra como sofrimento prolongado que pode continuar, com negociações de paz ainda sem resultados concretos.
- O apoio ocidental permanece crucial, mas há sinais de tensões entre aliados sobre a rapidez e a natureza da ajuda, enquanto Kiev aposta na continuidade da resistência e na dissuasão de Moscou.
Encerra-se hoje o quarto ano da invasão russa na Ucrânia, que continua sem sinal de paz estável. O país enfrenta exaustão generalizada, pressões internacionais e uma ofensiva que não cumpriu o objetivo de um desfecho rápido, mantendo a guerra em regime de desgaste.
Na Praça Maidan, em Kiev, famílias, veteranos e civis lembram as vítimas. Oedal Boradochencko, pai de Oleksii, declara que não há espaço para perdão a Rússia e que a luta seguirá, mesmo diante de negociações difíceis. Milhares de pessoas vivem com frio, cortes de energia e incerteza.
O conflito começou em 24 de fevereiro de 2022. Hoje, o território ucraniano ocupado pela Rússia chega a cerca de 20% do país, incluindo áreas da Crimeia, Donbás e outras regiões. Analistas apontam desníveis militares e estratégicos que dificultam o avanço russo.
Ao longo de 2025, a ofensiva russa se manteve essencialmente de desgaste. Dados do ISW indicam que a agressão capturou apenas cerca de 0,8% do território ucraniano no ano, evidenciando limitações logísticas e táticas.
Em Kiev, a população convive com interrupções de energia, cortes de luz e sirenes. A segurança social tem enfrentado pressão com o longo inverno e ataques a infraestruturas civis, incluindo terminais de transporte e rede elétrica.
Estudos de opinião revelam ceticismo quanto a um acordo pacífico este ano. Cerca de 17,7% dos ucranianos acreditam numa solução até o fim de 2026, segundo pesquisas recentes. Ao mesmo tempo, há quem peça garantias robustas antes de qualquer cessar-fogo.
No front, a contabilidade de baixas permanece sensível. Observatórios destacam números divergentes entre fontes, com dezenas de milhares de mortos e feridos, além de dezenas de milhares de deslocados. O método de contabilização varia entre órgãos militares e institutos de pesquisa.
A negociação entre Kiev e Moscou, iniciada em Abu Dabi e seguida em Genebra, avança sem resultados concretos. As autoridades ucranianas resistem a ceder território e demandam garantias de segurança de longo prazo. O governo russo sustenta exigências máximas.
Dentro da Ucrânia, há resistência entre militares, civis e setores da sociedade. Soldados como Andrii Kucher relatam perdas humanas durante o conflito, enquanto civis preservam serviços básicos e apoiam as vítimas com doações e assistência médica.
Em Moscou, o Kremlin enfrenta pressões econômicas e pensamentos de mobilização, mas não há consenso sobre uma escalada. Análises apontam que a gestão de recursos e o apoio interno variam entre diferentes segmentos da população russa e entre elites políticas.
A postura de Washington permanece decisiva para a Ucrânia, com o front externo moldando também as negociações. O apoio ocidental, principalmente dos EUA, continua relevante para a capacidade de defesa e para a composição de qualquer acordo futuro.
Especialistas destacam que o objetivo ucraniano não é apenas manter a linha de frente, mas negar a Rússia a capacidade de impor uma vitória militar. A luta continua, com expectativa de novas rodadas diplomáticas, enquanto as partes avaliam custos e ganhos de cada movimento.
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