- Donald Trump voltou a questionar o acordo de devolução do archipélago de Chagos a Maurício, influenciado pela tensão com o Irã.
- O acordo previa que Maurício recuperasse a soberania, mas os EUA e o Reino Unido manteriam o controle da base conjunta de Diego García por 99 anos, com aluguel estimado em cerca de 120 milhões de euros por ano.
- Os custos totais projetados variam entre aproximadamente 4,0 bilhões de euros (ministério da Defesa) e quase 12,0 bilhões de euros (oposição conservadora), conforme as diferentes projeções.
- O anúncio de apoio de Washington à entrega de Chagos contrasta com críticas de Keir Starmer e de setores dentro do Labour e de aliados, que questionam o acordo.
- Há protestos de comunidades chagosianas e pressões políticas, com controvérsias sobre o impacto social e ambiental do acordo, além de tensões entre Londres e Washington sobre o tema.
O archipélago de Chagos volta a entrar no foco. Donald Trump questiona novamente o acordo que devolveu Chagos a Mauricio, enquanto a tensão com Irã aumenta a relevância estratégica do território. A polêmica envolve a base militar de Diego García, no sul do arquipélago, mantida por acordos entre Londres e Washington.
O acordo de 2024 previa que Mauricio retomasse a soberania sobre as ilhas, com os EUA e o Reino Unido assegurando o uso conjunto da base de Diego García por até 99 anos. O custo estimado do arrendamento fica em torno de 120 milhões de euros por ano, com variações conforme o tempo e a inflação. A oposição britânica aponta números bem maiores.
Trump já havia apoiado o acordo no passado, mas passou a criticá-lo reiteradamente, afirmando que o montante não é adequado e que o governo britânico estaria mal informando a opinião pública. O presidente também mencionou a soberania de Starmer sobre o tema, em tom de disputa política interna.
A tensão entre Estados Unidos e Irã, com possível ataque americano caso não haja acordo nuclear, elevou a importância da base de Diego García. A localização estratégica fica a cerca de 5 200 quilômetros de Teerã, o que, na visão de Washington, poderia justificar uso ativo da base em operações futuras. Trump chegou a mencionar a possibilidade de utilizá-la para responder a ataques.
A administração de Starmer mantém posição de defesa do acordo, ressaltando que ele é crucial para a segurança regional e que a base é essencial para os planos de defesa dos aliados. O Departamento de Estado dos EUA, por sua vez, ratificou o apoio ao arranjo, sujeito à aprovação parlamentar britânica.
No plano interno britânico, a notícia alimenta críticas ao governo de Starmer, que enfrenta resistência de parte de seu próprio partido e de oposição conservadora. Críticos apontam custos elevados e impactos sociais, enquanto o governo enfatiza a segurança e a cooperação com os EUA.
Além do aspecto político, o caso envolve a população chagosiana, expulsa na década de 1960 para dar lugar à base. Quatro membros da comunidade chegaram a desembarcar no atol recentemente, em protesto contra a devolução. A mobilização social amplia o escrutínio sobre a política externa britânica.
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