- A Assembleia Legislativa do Amapá começou a coletar assinaturas para instalar uma CPI que investigue os investimentos de R$ 400 milhões da Amprev no Banco Master, ligados a uma das maiores fraudes do sistema bancário.
- A apuração pode acontecer localmente antes do Congresso, já que o Senado não sinalizou a instalação de CPMI sobre o caso; o presidente Davi Alcolumbre ainda não anunciou posição.
- A iniciativa é liderada pelo deputado R. Nelson Vieira; já havia alertas públicos desde setembro de 2023 e, até o momento, há duas adesões formais, sendo necessárias pelo menos oito das 24 assinaturas.
- As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público apontam para gestão temerária ou fraudulenta, com questionamentos sobre Jocildo Lemos, apontado por Alcolumbre, e que chegou a renunciar ao cargo na Amprev.
- No âmbito federal, o Congresso também enfrenta dificuldades para avançar com CPI ou CPMI sobre o caso, enquanto se discute a criação de uma comissão mista e o calendário político pode atrasar as apurações.
A Assembleia Legislativa do Amapá (Alap) iniciou coleta de assinaturas para instalar uma CPI que investigue investimentos da Amprev no Banco Master. A operação mira possíveis irregularidades em recursos de servidores estaduais, avaliando se houve gestão temerária ou fraude.
O foco é apurar a aplicação de cerca de R$ 400 milhões da Amprev no banco Master, considerado parte de um dos casos mais complexos do sistema financeiro nacional. A investigação local pode avançar antes de uma possível comissão no Congresso.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, indicado para liderar investigações envolvendo Jocildo Lemos, não sinalizou a instalação de uma CPMI específica sobre o Master. Na Câmara, o presidente Hugo Motta afirmou que analisará outros 12 pedidos de CPI antes de tratar do tema.
A iniciativa no Amapá é liderada pelo deputado estadual R. Nelson Vieira, que desde setembro cobrava explicações sobre as aplicações. Ele pretende formalizar a apuração no âmbito do Legislativo estadual para esclarecer responsabilidades.
Investigadores da PF e do Ministério Público tentam entender por que conselheiros da Amprev investiram grandes quantias em ativos do Master, mesmo após alertas de risco. Segundo Nelson, é essencial esclarecer se houve investimento temerário e quais foram os motivos para direcionar R$ 400 milhões à instituição sem cobertura do FGC.
A Amprev afirma que as aplicações seguiram normas do sistema financeiro e que, com a liquidação do Master, adotou medidas para resguardar os recursos de aposentados, mantendo valores sob controle judicial. O fundo nega risco de não pagamento.
No radar político, o caso também envolve debates no cenário nacional. A relação entre Davi Alcolumbre e a Amprev foi colocada em pauta pela Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master e as ligações com fundos de previdência estaduais. O senador nega interferência e não é investigado até o momento.
No âmbito estadual, a Amprev está sob investigação do MP e da PF para apurar compatibilidade dos investimentos com a política do RPPS. Também há análise de responsabilidade de gestores e possíveis ligações com o entorno político do Amapá.
Os desdobramentos no Congresso
Ainda não há instalação de CPIs no Congresso. Mesmo com pedidos protocolados, deputados e senadores enfrentam atrasos e disputas entre as lideranças. A adesão de parlamentares foi suficiente para avançar, mas a decisão depende de Hugo Motta e de Davi Alcolumbre.
A oposição critica a atuação cautelosa das lideranças, apontando que, uma vez preenchidos os requisitos formais, a instalação não deveria ser adiável. Em outros blocos, há propostas de criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito envolvendo deputados e senadores.
A articulação liderada pelo deputado Carlos Jordy busca unificar as investigações e apurar possíveis irregularidades associadas ao Master. A proximidade das eleições de 2026 pode influenciar o ritmo e a condução das apurações.
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