- O ex-presidente do Kosovo, Hashim Thaci, disse a juízes em Haia que a justiça não pode ser feita perseguindo inocentes, antes do veredito esperado em até três meses.
- Thaci e mais três ex-comandantes da Kosovo Liberation Army são acusados de perseguição, assassinato, tortura e desaparecimentos forçados durante e após a uprising de 1998-99.
- Eles negam todas as acusações.
- A promotoria pediu uma sentença de quarenta e cinco anos de prisão para Thaci e os outros réus.
- O conflito deixou mais de 13 mil mortes, em sua maioria entre albaneses kosovares, e líderes da KLA são vistos como heróis por muitos, com protests de apoio aos réus ocorrendo em Pristina.
O ex-presidente do Kosovo Hashim Thaci afirmou nesta quarta-feira, em The Hague, que a justiça não pode ser feita apenas processando inocentes. Ele fez as declarações ao apresentar sua defesa no julgamento por crimes de guerra.
Thaci e mais três comandantes da OLA (Exército de Libertação do Kosovo) são acusados de perseguição, assassinato, tortura e desaparecimentos forçados durante e logo após o levante de 1998-1999. Eles negam todas as acusações.
Thaci disse que “a justiça para as vítimas não pode ser honrada processando inocentes” e que a reconciliação não ocorre com acusações seletivas por base étnica. O veredito é esperado em até três meses.
O que está em jogo
Os defensores afirmam não haver evidência direta que ligue Thaci a crimes específicos, e dizem que há provas insuficientes para vincular o ex-líder de o KLA a outros comandantes. A promotoria pede condenação de 45 anos de prisão.
Entre 1998 e 1999, mais de 100 oponentes políticos e suspeitos de colaboração com as forças serbias teriam sido mortos. Centenas teriam sido abusadas em cerca de 50 campos sob controle do KLA.
Thaci, com 57 anos, e os três coacusados — Jakup Krasniqi, Kadri Veseli e Rexhep Selimi — foram presos em 2020 e enviados ao tribunal especial de crimes de guerra em The Hague.
Mais de 13 mil pessoas, a maioria albaneses do Kosovo, teriam morrido no auge do conflito, quando o Kosovo era ainda uma província da Sérvia. Militares sérvios reagiram duramente contra a população albanesa.
Manifestantes pró-KLA lotaram Pristina na terça-feira, em apoio aos ex-comandantes, refletindo divisões ainda presentes no país. O caso segue acompanhando o debate sobre memória e justiça.
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