- A reunião inaugural do Board of Peace em Washington deve anunciar doações para a reconstrução de Gaza e apoios à força internacional de estabilização.
- O Board já tem cerca de 35 países, com convidados que vão de aliados de Trump a potências com interesses na região; alguns países importantes ficam ausentes.
- O papel do conselho é controverso e pouco claro: supervisionar o plano de 20 pontos de Trump ou evoluir para um mecanismo global de resolução de conflitos.
- A liderança é centralizada em Trump, que controla quem entra, como se gasta o dinheiro e outras decisões-chave; o board pode servir também a fins de lobbying e imagem pública.
- As promessas de apoio incluem bilhões de dólares anunciados (ex.: membros do board podem financiar a Gaza) e propostas de até 8 mil militares indonianos para uma força de paz, embora a implementação seja incerta.
O Conselho da Paz reúne-se em Washington para discutir a reconstrução de Gaza e a possível contribuição para uma força de estabilização internacional. O encontro, nesta semana, deve anunciar compromissos financeiros e alinhar pontos do plano de Gaza. O objetivo é levantar recursos e sinalizar apoio internacional, ainda que a implementação permaneça incerta.
O encontro ocorre em meio a críticas sobre quem define a agenda. O grupo é liderado por Donald Trump, com participação de aliados e países apoiadores. A composição envolve Estados que apoiam Trump, outros que buscam proximidade e alguns sem barreiras constitucionais claras para integrar o conselho. A presença de atores regionais é marcada por posições divergentes.
O formato do Conselho permanece pouco claro sobre suas funções. Observa-se potencial para coordenar o plano de 20 pontos, ou evoluir para um instrumento de resolução de conflitos global. O presidente tem autoridade para influenciar membros, agenda e decisões, o que alimenta dúvidas sobre neutralidade.
Participantes e adesões
Inicialmente, Trump convidou cerca de 60 países. Aproximação com países vizinhos e aliados é evidente, com adesões já chegando a dezenas. Identificam-se blocos de países: alinhados a Trump, interessados em ganhos estratégicos e alguns sem entraves constitucionais. Israel participa, mas com cautela política interna.
Canadá não recebeu convite formal, e a China e a Rússia sinalizam dúvidas quanto à função do conselho. A União Europeia tem críticas sobre a legitimidade da plataforma. O apoio de países árabes, como Qatar e Emirados, é destacado, assim como o interesse de Indonésia em contribuir com tropas sob condições.
Finanças e reconstrução
A reconstrução de Gaza exige dezenas de bilhões de dólares. O comitê pode criar mecanismos de financiamento a longo prazo e facilitar a participação de doadores. Na prática, a entrega de recursos depende de garantias políticas, avanços na desmilitarização e acordos com as autoridades locais.
Fontes apontam promessas significativas, com o UAE citada entre os maiores contribuintes. A expectativa é de igualar ou superar aportes de outras nações. Resta ver como os recursos serão administrados e fiscalizados pelo conselho.
Desafios de implementação
O dispositivo de governança enfrenta controvérsias sobre representatividade palestina. Não há figuras palestinas de alto escalão nas comissões, o que gera questões de legitimidade. O Hamas controla parte de Gaza, complicando acordos de reconstrução.
A relação entre Israel e o conselho também preocupa. O governo israelense deseja condições claras para a desmilitarização de Gaza antes de grandes projetos de reconstrução. A ausência de consenso regional aumenta as incertezas sobre a eficácia do movimento.
Perspectiva internacional
O Conselho da Paz tem potencial para influenciar a política regional, mas enfrenta obstáculos estruturais. A resolução da ONU que respalda o mandato é contestada por alguns membros permanentes, o que pode afetar o alcance do grupo. Enquanto isso, a situação humanitária em Gaza permanece crítica.
A atenção fica na possibilidade de o conselho facilitar uma força internacional de estabilização. Indicações de participação de tropas, inclusive de Indonésia, aparecem como perspectiva, mas a implementação prática permanece incerta.
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