- Somalilandia tem autogoverno desde 1991, com eleições, moeda própria e fronteiras sob controle, mas não é reconhecida por nenhum país, sendo Israel o único a fazê-lo até o momento.
- O reconhecimento israelense, no final de 2025, provocou mudanças diplomáticas e ações como a Arkia ajustando rotas, além de reabrir o debate sobre autodeterminação da região.
- A decisão levou Somalilandia a ganhar visibilidade em espaços internacionais, incluindo o Fórum Econômico Mundial de Davos, e a aparecer em discussões políticas e empresariais globais.
- A relação com a Somália permanece difícil; muitos países não reconhecem Somalilandia, citando a integridade territorial e o precedente que o reconhecimento poderia criar.
- Reações internacionais foram mistas: países árabes e a União Africana criticaram o passo, a União Europeia manteve apoio à unidade somali e os Estados Unidos não reconhecem, mas não condenam explicitamente.
Somalilandia, território do Cuerno de África, mantém governo próprio desde 1991, mas não é reconhecido como país pela comunidade internacional, exceto por Israel. O reconhecimento israelense, no final de 2025, reacendeu o debate sobre autodeterminação na região.
Aeronáutica israelense Arkia anunciou, no fim de janeiro, ajustes em rotas para a Ásia por falta de renovar autorizações de sobrevoo em Mogadíscio. A medida ocorreu após o reconhecimento de Somalilandia por Israel, ampliando o peso político do território autônomo.
Somalilandia realiza eleições há mais de 30 anos, imprime própria moeda, controla fronteiras e mantém exército próprio, com cerca de 5 milhões de habitantes. Até então, apenas Israel a reconhecia como Estado, contexto que deslocou o debate internacional.
Desde o gesto israelense, Somalilandia passou a participar de fóruns globais, como o Fórum Econômico Mundial em Davos, e ganhou espaço em documentos de interesse político e empresarial. A situação coloca a pergunta: como existir sem reconhecimento formal?
O governo de Somalilandia sustenta que não é uma secessão, mas a restauração de um status que já existiu em 1960, quando o território era um protectorado britânico. A posição é compartilhada por autoridades locais, que ressaltam eleições e alternância pacífica de poder.
A situação regional envolve diplomacia complexa. Países árabes e africanos condenaram o reconhecimento, enquanto a União Europeia previu manter a integridade territorial da Somália. Washington não reconhece Somalilandia, mas não criticou explicitamente a decisão israelense.
Para muitos, o passaporte Somalilandiano tem circulação restrita, o que dificulta viagens e serviços de saúde no exterior. A oposição ao reconhecimento também envolve preocupações sobre precedentes para movimentos separatistas na região.
No debate interno, há apoio ao reconhecimento sob argumento de democracia estável, eleições regulares e governança responsável. Críticos, porém, alertam para riscos de desestabilização regional e fragilidade de garantias legais.
O episódio em Davos e a repercussão internacional mostram que Somalilandia, apesar de invisível para as Nações Unidas, busca ampliar seus vínculos estratégicos. O território não se enquadra como Estado soberano para a maioria das nações, mas afirma existir desde 1991.
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