- O Gabinete está a analisar a contratação de um relatório que fez alegações falsas sobre jornalistas que investigavam o Labour Together.
- A ministra Liz Kendall afirmou que não se trata de uma investigação formal, apontando que o regulador já conduz a apuração.
- O comitê de padrões da Public Relations and Communications Association (PRCA) investiga um relatório da Apco Worldwide sobre a origem, financiamento e fontes de uma matéria do Sunday Times, de novembro de 2023.
- Segundo fontes, Josh Simons, ex-diretor do Labour Together e atual ministro do Gabinete, financiou e revisou o estudo.
- Os Conservadores defenderam uma investigação imediata sobre o papel de Simons e de outros diretores do Labour Together; a reportagem do Sunday Times mostrou que conteúdos da apuração teriam sido compartilhados com figuras do Labour em 2024.
O Gabinete está a avaliar a contratação de um relatório que fez alegações falsas sobre jornalistas que investigavam Labour Together, think tank associado a Keir Starmer. A ministra Liz Kendall indicou que não haverá uma investigação formal, ao menos por enquanto, pois o sindicato patronal do setor de relações públicas conduz essa apuração.
A comissão de padrões da Public Relations and Communications Association analisa um relatório elaborado pela consultoria de PR Apco Worldwide, que investigava a origem, financiamento e procedência de uma matéria publicada pelo Sunday Times em novembro de 2023 sobre Labour Together. A pesquisa foi paga e revisada por Josh Simons, ex-diretor da Labour Together e atual deputado do Labour e ministro do Gabinete, segundo fontes e documentos com a imprensa.
Kendall reforçou que o órgão regulador já investiga o tema e que o Gabinete estabelecerá os fatos. Questionada sobre a natureza da apuração, ela disse que estabelecer os fatos é o primeiro passo para uma avaliação adequada, destacando a importância da liberdade de imprensa para o funcionamento da democracia parlamentar.
Contexto e desdobramentos
Os Conservadores solicitaram à presidente do Labour, Anna Turley, uma investigação imediata sobre o papel de Simons e de outros diretores da Labour Together, incluindo ministros em atuação. Labour Together, liderado anteriormente por Morgan McSweeney, é visto como núcleo do projeto de Starmer e da reformulação do partido após o período de Jeremy Corbyn.
O Sunday Times informou que o conteúdo da apuração da Apco foi compartilhado informalmente com figuras do Labour em 2024, incluindo ministros em atuação e assessores especiais. A matéria alegava, entre outros pontos, questões envolvendo Gabriel Pogrund e Harry Yorke, jornalistas do periódico, que teriam recebido informações no Westminster.
O relato também cita Tom Harper, diretor sênior da Apco e ex-funcionário do Sunday Times, como responsável por analisar a origem da matéria, com alegações não comprovadas de que os e-mails que embasaram a reportagem teriam vindo de uma possível invasão do Electoral Commission pela Rússia. A Apco também é acusada de fazer menções à origem judaica de Pogrund e de apresentar inferências não verificadas sobre sua vida pessoal.
Simons afirmou, por meio de comunicado, ter ficado surpreso com o conteúdo que extrapolou o contrato, incluindo informações consideradas desnecessárias sobre Pogrund. Ele disse ter solicitado a remoção dessas informações antes de encaminhar o relatório à agência de inteligência GCHQ. Segundo o próprio Simons, não houve investigação sobre outros jornalistas britânicos.
Entre na conversa da comunidade