- Flávio Bolsonaro afirmou que vai acionar rapidamente o Tribunal Superior Eleitoral contra a homenagem a Lula no desfile da Acadêmicos de Niterói, no Rio, neste domingo (15).
- A ala das “latas de conserva” foi criticada como ataque aos valores da família tradicional e como uso de recursos públicos para ataques a Bolsonaro.
- Parlamentares de oposição reagiram, entre eles Nikolas Ferreira, Carol de Toni, Damares Alves e Sergio Moro, além de influenciadores de direita.
- A oposição também questiona inelegibilidade de Lula; o TSE já rejeitou liminares para proibir o desfile, e houve discussão sobre repasses de recursos ao evento no TCU.
- O enredo homenageou Lula e criticou “valores engessados” da família, contando a trajetória do presidente desde a infância até a liderança, com a ala das latas representando pensamentos conservadores.
Flávio Bolsonaro anunciou que acionará rapidamente o Tribunal Superior Eleitoral contra a homenagem ao presidente Lula realizada pela Acadêmicos de Niterói no carnaval do Rio de Janeiro. A apresentação ocorreu na Marquês de Sapucaí neste domingo, 15, conforme o senador afirmou em postagens em X. A intenção é questionar a alegoria e o que ele classifica como propaganda antecipada com uso de recursos públicos para ataques pessoais aos adversários.
Segundo o senador do PL, a peça violaria regras eleitorais ao atacar a família de seus opositores e reforçar um ataque político. A crítica envolve uma ala da escola denominada latas de conserva, alvo de elogios a um modelo de pensamento que, na visão dele, representa o que chama de conservadorismo emlatado. A fala gerou repercussão entre apoiadores e críticos.
Diversos parlamentares reagiram à apresentação. O deputado Nikolas Ferreira também usou as redes para criticar a disputa de valores religiosos e familiais, associando a crítica a interesses eleitorais. A deputada Carol de Toni, que deixou o PL, ressaltou que o enredo expôs um ataque aos valores conservadores. Outros parlamentares destacaram o impacto sobre a fé de milhões de brasileiros.
Senadora Damares Alves afirmou que é inadmissível ridicularizar a fé e disse que o ensaio foi um deboche aos evangélicos e ao modelo familiar defendido por setores conservadores. Ela cobrou respeito às crenças religiosas ao avaliar manifestações culturais. O senador Sergio Moro qualificou a homenagem como desrespeitosa à família e apontou viés político no desfile, comparando a exaltação à Lula a uma prática de culto à personalidade.
Influenciadores de direita manifestaram repúdio à montagem, defendendo que o Carnaval não seja palco para militância ideológica. Um deles destacou que a sátira dirigida aos conservadores soa como crítica ideológica à direita. As declarações enfatizaram que o episódio pode ter sido interpretado como ataque político durante o evento.
Oposição já havia questionado a elegibilidade de Lula em meio a debates eleitorais. Nesta segunda-feira, o deputado Filipe Barros anunciou a intenção de protocolar no TSE uma ação contra o desfile em homenagem a Lula. Na quinta-feira anterior, o TSE rejeitou uma liminar do Novo e de Kim Kataguiri para proibir a apresentação da escola.
A ministra Estela Aranha, relatora do processo, afirmou que censura prévia não cabe e que eventuais irregularidades devem ser apuradas em momento oportuno. O Novo também tentou impedir repasses de recursos da Embratur à escola, o que foi negado pelo relator do caso, ministro Aroldo Cedraz, no Tribunal de Contas da União.
Enredo e significado da homenagem
A alegoria homenageou Lula com o título Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, traçando a trajetória do ex-presidente desde Pernambuco até a Presidência. O enredo descreveu a vida dele, a migração para São Paulo, a atuação sindical durante a ditadura e a liderança no Brasil.
A narrativa incluiu alas sobre a seca do Nordeste, o chão de fábrica, greves históricas e programas sociais associados aos governos petistas. O refrão exaltou a ideia de esperança popular e a força do operário como elementos centrais da biografia de Lula. A ala das latas de conserva simbolizou o que a escola chamou de pensamentos engessados e valores conservados no tempo.
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