- No carnaval do Rio, a escola Academicos de Niterói planeja um tributo à trajetória de Lula, abrindo debate político antes da eleição.
- A oposição entrou com várias ações alegando campanha antecipada; a maioria já foi rejeitada pelos tribunais, mas uma ainda tramita.
- Lula deve assistir à apresentação no domingo, sem falar, enquanto assessores revisam regras para evitar violações eleitorais.
- A participação de ministros e o uso de recursos públicos no evento são objeto de críticas, com defesa do governo dizendo que o financiamento é comum a todas as escolas oficiais.
- Críticos argumentam que a homenagem pode cruzar limites legais; integrantes da escola dizem que a música retrata a vida do político, não uma campanha.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou a passagem da escola de samba Academicos de Niteroi no desfile de Carnaval no Rio de Janeiro, emocionando-se ao ver a história de vida dele e da mãe transformada em letra de samba. Ele não fará discurso durante o evento.
A homenagem repercutiu politicamente, com oitores acusando o tributo de funcionar como campanha antecipada. Partidos de oposição apresentaram ações para argumentar irregularidade no uso do evento como apoio eleitoral antes das eleições de outubro.
Até agora, a maioria das ações foi rejeitada pelos tribunais. Apenas uma permanece em andamento, enquanto outras foram arquivadas por questões processuais ou por entenderem que não houve violação clara das regras.
Os auxiliares de Lula informaram que o presidente assistirá ao desfile sem intervir politicamente. A esposa dele, Rosângela da Silva, pode participar, mas as ações sobre a participação dela seguem em análise.
Contexto legal e operacional
Os organizadores dizem que o roteiro da Academicos de Niteroi retrata a infância de Lula na região nordeste e a busca da mãe por uma vida melhor. A equipe pediu autorização para usar a história de vida do presidente há mais de um ano.
Lula autorizou a participação dos carnavalescos após o pedido, em encontro na residência oficial Alvorada, em 2023. Em seguida, houve cautela para evitar violações à lei eleitoral durante a pré-campanha.
Para os críticos, o uso de letras que mencionam o número 13, símbolo ligado ao PT, reforça o argumento de campanha. A oposição sustenta que a ajuda financeira do governo aos desfiles favorece o governante.
Defensores públicos afirmam que o financiamento é padrão para escolas de samba envolvendo desfiles oficiais e não está vinculado a escolhas artísticas. A avaliação legal aponta para regras iguais entre as escolas.
A Justiça já rejeitou a maior parte das ações, com base em pareceres dos advogados do governo ou por questões processuais. Um tribunal financeiro federal ainda analisa um caso pendente.
Embora Lula já tenha participado de desfiles anteriores, é incomum que um presidente compareça. Para alguns, a presença reforça uma relação institucional com o Carnaval do Rio.
Moradores e carnavalescos consideram a homenagem uma expressão cultural que destaca histórias de vida. Para o designer Tiago Martins, a narrativa busca celebrar a trajetória de um trabalhador que chegou ao poder.
Original de Lisandra Paraguassu, Ricardo Brito e Janaina Quinet, com edição de Manuela Andreoni.
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