- A Acadêmicos de Niterói fará uma homenagem a Luiz Inácio Lula da Silva no desfile do Grupo Especial do Carnaval do Rio, promovendo o presidente em plena temporada eleitoral.
- A escola recebeu R$ 1 milhão do governo federal para exaltar o presidente na avenida, com participação da primeira-dama Janja da Silva em carro alegórico.
- Críticos dizem que o enredo e a apresentação configuram prática de campanha antecipada financiada com dinheiro público, embora Lula negue tratar-se de campanha.
- O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou por unanimidade pedidos de liminar para suspender o desfile, alegando manifestação artística e censura prévia indisponível.
- Tribunal de Contas da União e Justiça Federal também(stream) rejeitaram ações para suspender repasses ou interromper a homenagem, mantendo o desfile como atividade permitida.
Poucas coisas refletem o Brasil de hoje como a homenagem anunciada pela Acadêmicos de Niterói ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o desfile das escolas de samba do Grupo Especial, no Sambódromo do Rio. O evento ocorre neste Carnaval e envolve recursos públicos para promover a imagem do chefe do Executivo, em ano eleitoral. A promoção é vista por críticos como campanha disfarçada, com o potencial de alcance nacional.
A escola tem como presidente de honra um vereador do PT e, segundo relatos, a primeira-dama Janja da Silva deve participar como destaque em um carro alegórico. Imagens da participação de Lady Janja ao lado da ministra Anielle Franco circularam nas redes, gerando controvérsia sobre o zelo às regras que regem a publicidade eleitoral e o uso de recursos públicos.
O tema do enredo, Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, aproxima a história de Lula de programas sociais e da trajetória de vida do presidente, pela visão da mãe, dona Lindu, conforme divulgação da escola. A narrativa é associada a promoção da candidatura à reeleição em 2026, segundo observadores.
Decisões judiciais e impactos institucionais
O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou por unanimidade pedidos de liminar para suspensão do desfile feitos pelos partidos Novo eMissão, ligado ao MBL. A justificativa foi que se trata de manifestação artística, não de censura prévia. A ministra Cármen Lúcia informou que a decisão não concedeu salvo-conduto, apenas indeferiu a liminar.
A decisão reforça a percepção de tratamento distinto entre ações movidas pela base governista e pela oposição. Relatos indicam que, mesmo com eventual aplicação de multas, o efeito pode ser considerado custo de campanha pelas avaliações oficiais. O TCU negou cautelar para suspender repasses de aproximadamente R$ 12 milhões para 12 escolas do Grupo Especial.
Além disso, ações judiciais envolvendo a transmissão do desfile e o uso de recursos públicos para a escola foram rejeitadas pela Justiça Federal, mantendo o desfile sob proteção de decisão anterior. Dos casos, dois envolveram adversários do governo e também não resultaram em suspensão imediata das atividades.
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