- O 9º Congresso do Partido da Coreia do Norte será realizado no final de fevereiro, com Kim Jong Un buscando mostrar domínio político e ganhos militares.
- Kim tem feito visitas a instalações militares e a uma fazenda de estufa para evidenciar conquistas antes do evento.
- Há sinais de que a filha de Kim, Kim Ju Ae, pode ter influência política, alimentando debates sobre uma possível sucessão e o título de presidente.
- Espera-se um grande desfile militar e anúncios de avanços em armamentos, incluindo mísseis de combustível sólido e submarinos com tecnologia nuclear.
- O Congresso pode enviar mensagens a Washington e Seul, fortalecendo laços com a Rússia e sinalizando estratégias diplomáticas futuras.
North Korea vai realizar o IX Congresso do Partido neste mês, numa operação política de grande peso para mostrar o controle de Kim Jong Un sobre o poder e a imagem dele como líder benevolente em casa e chefe de uma força militar de ponta. O ambiente tem sido marcado por visitas de Kim a instalações militares e agrícolas para evidenciar conquistas.
Antes do evento quinquenal, Kim percorreu locais que vão de um sitio de lançamento de mísseis de cruzeiro a uma fazenda hidropônica de grande porte, reforçando o alcance de suas políticas econômicas e de defesa. A data de abertura ficou sem divulgação, com previsão para ocorrer no final de fevereiro.
Contexto do Congresso
Espera-se que o Congresso defina os rumos da estratégia econômica de cinco anos e apresente prioridades futuras. Em 2021, Kim já havia apontado falhas no plano anterior, anunciando necessidade de investimentos em indústrias pesadas, agricultura e produção de bens de consumo.
Rachel Minyoung Lee, especialista do Stimson Center e do 38 North, ressalta que o evento pode revelar o cálculo político de Kim para os próximos anos, em um momento sensível no cenário interno e externo.
Sucessão e título presidencial
Nesta semana, legisladores sul-coreanos mencionaram passos para consolidar a sucessão de Kim Ju Ae, filha de Kim, como possível próxima líder. Segundo a Inteligência Nacional da Coreia do Sul, a jovem já presta contributos em áreas de policy, o que indica preparação para uma futura liderança.
A NIS acompanhará a presença de Ju Ae no Congresso e a forma de sua apresentação, incluindo eventual atribuição de título oficial. Analysts também cogitam a possibilidade de reacender o título de presidente para Kim, ligado à história do fundador Kim Il Sung, avô de Kim. A nomeação poderia estender a dinastia familiar a uma quarta geração.
Desfile militar e novas armas
Aproveitando o Congresso, Pyongyang deve realizar uma grande parada militar para evidenciar capacidades nucleares e convencionais. Analistas acreditam que Kim buscará demonstrar determinação para evitar riscos de desfechos como o da Venezuela, onde forças especiais dos EUA atuaram recentemente.
Especialistas ressaltam que o objetivo é justificar o arsenal nuclear como mecanismo de dissuasão frente a operações militares externas. Estudos indicam que a liderança pode associar a deterrência nuclear a ganhos estratégicos e à perspectiva de maior autonomia.
Novos sistemas estratégicos
Apesar de avanços em mísseis nucleares, de alcance intercontinental com combustível sólido e de alcance hipersônico, Kim pretende ampliar o parque de armas. O foco inclui submarinos com tecnologia nuclear, considerados prioridade maior para o próximo quinquênio.
Tae Yong-ho, ex-diplomata norte-coreano que desertou para o Sul, afirma que Pyongyang busca manter a capacidade de dissuasão para evitar repetição de intervenções externas. Também se destaca a possibilidade de novos lançamentos ou testes de sistemas avançados.
Relações externas e mensagens para Seul e Washington
O Congresso pode enviar mensagens estratégicas a Washington e Seul. Kim já chamou a Coreia do Sul de país hostil e tem contestado contatos do presidente sul-coreano. Em contrapartida, há expectativa de que a liderança norte-coreana avalie possíveis encontros com os EUA caso haja flexibilização de exigências sobre desarmamento nuclear.
Analistas divergem sobre o impacto da ofensiva recente dos EUA na Venezuela nas negociações com Pyongyang. Alguns defendem que a possibilidade de diálogos pode aumentar, outros veem a tendência de Pyongyang manter distância para não parecer frágil.
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