- Morgan McSweeney deixou o cargo de chefe de gabinete, criando um vácuo que mostra várias facções buscando definir o que vem a seguir no governo de Keir Starmer.
- Grupos de diferentes alas do Labour veem a oportunidade de um giro progressista, incluindo mudanças no gabinete e uma nova abordagem econômica para enfrentar o custo de vida.
- A tribuna do Labour, vinculada ao Tribune (ala soft left), deve apresentar propostas sobre economia, reforma de bem-estar e coesão social.
- O Labour Growth Group (LGG) deve divulgar um documento com foco em salários, oportunidades e combate a práticas de aproveitamento econômico, com base numa nova visão para a economia.
- Há cobrança de mudanças na equipe de No. 10, na condução do gabinete e na clareza de quem toma as decisões, com debates sobre a necessidade de uma remodelação ministerial, caso a fraqueza persista.
Keir Starmer enfrenta uma reestruturação interna no Labour após a saída de Morgan McSweeney, seu chefe de gabinete. Enquanto o premiê tenta manter a estabilidade, setores do partido já vislumbram uma guinada progressista, uma troca no gabinete e uma nova rota econômica.
Ed Miliband, secretário de Energia, afirmou que Starmer está “liberado” para agir sem precisar nomear quem estaria por trás da mudança. A saída de McSweeney, figura central na condução do Labour moderno, intensificou a expectativa de redefinição entre ministros e facções do partido.
A avaliação entre deputados aponta para um vácuo após a saída de McSweeney, com mensagens de que Starmer está no controle, porém sem decidir claramente o rumo. Alguns próximos a Starmer indicam um momento para escolhas mais radicais, enquanto outros temem que haja apenas continuidade.
Há quem defenda uma guinada à esquerda, desafiando Reform UK com propostas mais contundentes. Outros preferem uma remodelação do governo, com mudanças no gabinete e no funcionamento do gabinete, além de revisões na política econômica para aliviar o custo de vida.
O grupo de esquerda suave, representado pelo Tribune, planeja apresentar propostas sobre economia, reforma do bem-estar e coesão social. Um integrante enfatiza a necessidade de estratégia econômica mais coesa e de fortalecimento da comunicação com No. 10.
Entre aliados e críticos, há pressão para que Starmer recomponha equipes estratégicas. A pauta inclui encaminhar políticas voltadas a moradia, crescimento e oportunidades para jovens, em oposição a uma retomada de velhos pilares ligados a nacionalização.
O Labour Growth Group prepara um documento, já em mãos de ministros do Tesouro, que propõe uma visão econômica mais ambiciosa. O grupo aponta que a Grã-Bretanha vinha operando como uma economia de extração e defende mudanças que aumentem salários, oportunidades e competitividade.
A ideia é identificar cinco grandes problemas modernos, inspirados no conceito de Beveridge: baixos salários, contas elevadas, fragilidade da confiança democrática, indignidade e fractures sociais. Um novo conjunto de políticas seria apresentado em breve.
Entre os novos deputados, há entusiasmo dividido com o ritmo de mudanças e a gestão interna. Um espaço chamado Labour Thinks já recebe contribuições externas para ideias de governança e reconquista de eleitores desiludidos.
Uma preocupação comum é com o funcionamento de No. 10: a ausência de um chefe de gabinete, de uma linha clara de responsabilidade e de uma pessoa capaz de tomar decisões rápidas. A redação de um time coeso é vista como prioritária.
Alguns ministros defendem uma comunicação mais clara sobre quem está ao lado de quem e quais são os objetivos. A ideia é evitar interpretações de alinhamento difuso e fortalecer o discurso público do partido.
Há divergências sobre se uma remodelação pós-fação ajudaria Starmer a recuperar apoio. O Tribune já sinalizou apoio condicional à liderança, enquanto outros acreditam que mudanças de alto nível devem ocorrer apenas em condições mais favoráveis.
Para muitos, a saída de McSweeney expõe a necessidade de renovar as relações entre membros do partido e a liderança. A tensão entre novas vozes e veteranos continua, com debates sobre estratégias para reconquistar eleitores em meio a críticas de oposição.
No cenário atual, quase todos concordam que o desafio central é criar um projeto econômico convincente que dialogue com as preocupações diárias da população, sem abrir mão de princípios de equilíbrio fiscal.
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