- A desconfiança entre Europa e Washington cresce, segundo pesquisa da Conferência de Segurança de Múnich, destacando o risco que o ordenamento internacional sofre com a atuação dos EUA.
- O debate ocorre enquanto as relações transatlânticas enfrentam desgaste, com o segundo mandato de Donald Trump visto como desestabilizador para a aliança e para a UE.
- A delegação dos EUA em Múnich será liderada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e inclui congressistas como Alexandria Ocasio-Cortez e o governador Gavin Newsom; não reflete apenas o movimento MAGA.
- Representantes europeus presentes incluem o chanceler alemão, Friedrich Merz, o presidente francês, Emmanuel Macron, e os primeiros-ministros de Reino Unido, Espanha e Polônia; o presidente ucraniano, Volodímir Zelenski, é aguardado como um dos dictadores mais esperados.
- Entre os temas em debate estão Groenlândia, a guerra na Ucrânia, presença militar dos EUA na Europa e dependência tecnológica; há receio de ruptura da aliança, mas especialistas alertam para a necessidade de a Europa reduzir a dependência sem perder firmeza nos valores.
A Conferência de Segurança de Munique, no sul da Alemanha, começa em meio a uma crise de confiança entre EUA e Europa. A organização aponta que o distanciamento cresceu desde o início da segunda gestão de Donald Trump, com sinais de reconfiguração da aliança transatlântica. O evento ocorre em Munique, de sexta a domingo, reunindo autoridades de defesa, diplomacia e atuação estratégica.
A reunião coloca em pauta a percepção de que Washington pode ser visto como uma ameaça por parte de alguns aliados, segundo a avaliação da própria organização. O objetivo é entender como Europa pretende responder ao que descrevem como deterioração do ordenamento internacional. A análise leva em conta a passagem de poder entre governos e as mudanças na postura dos EUA.
A delegação norte-americana será chefiada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, com presença de senadores e membros da Câmara. O foro, porém, não representa apenas o espectro trumpista; a composição inclui figuras de diferentes correntes do Partido Republicano e da oposição democrata.
Participantes e agendas
Entre os líderes presentes, figuram o chanceler alemão, o presidente francês, e os primeiros ministros de Reino Unido, Espanha e Polônia. O presidente ucraniano, Volodímir Zelenski, é aguardado como orador central, em meio a negociações triangulares envolvendo Washington e Moscou. A reunião também recebe ministros de Exteriores da China e da Índia, com a ausência de representantes da Rússia desde 2022.
O encontro funciona como espaço de discursos públicos e negociações informais nos bastidores do Bayerischer Hof. A pauta engloba desde a presença militar dos EUA na Europa até a dependência econômica e tecnológica do continente em relação à superpotência. O objetivo é mapear caminhos para uma cooperação mais estável diante de mudanças geopolíticas.
Perspectivas e desdobramentos
A organização adverte que o risco de ruptura permanece, ainda que haja avanços na cooperação de defesa e na soberania europeia. A expectativa é de que o debate esclareça como a Europa pode manter seus valores fundamentais sem abrir mão de alianças estratégicas. A análise destaca também o papel de aliados na preservação de normas internacionais.
Especialistas destacam que a evolução do gasto militar europeu e a diversificação de parcerias podem reduzir vulnerabilidades com os EUA, mas exigirão tempo. Autoridades afirmam que respostas firmes são necessárias para evitar o isolamento frente a políticas consideradas disruptivas. A conferência encerra no domingo, com avaliações sobre o estado da relação transatlântica.
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