- Toffoli pediu o envio de dados de todos os celulares apreendidos e periciados no caso Master, ampliando medidas incomuns no processo.
- A decisão ocorreu um dia após o ministro ter o nome citado em conversas analisadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, principal investigado.
- O material foi entregue ao presidente do STF, Edson Fachin; a PF não pediu a suspeição de Toffoli.
- Fachin determinou que Toffoli se manifeste sobre as citações; não há confirmação de crime, mas há dúvidas sobre a imparcialidade.
- Investigadores relatam que Toffoli tem adotado medidas fora da praxe, como deslocar etapas para o STF, aumentar sigilo e marcar depoimentos sob sua coordenação.
Dias Toffoli, do STF, ordenou o envio dos dados de todos os celulares apreendidos e periciados na investigação sobre o Banco Master. A decisão, tomada nesta quinta-feira (12), amplia um conjunto de medidas incomuns no caso, deslocando parte da investigação do âmbito da Polícia Federal para o STF.
A ordem é vinculada a informações citadas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Master e principal investigado. Embora as conversas estejam sob sigilo, o ministro sustenta que há ilações a serem esclarecidas. A PF entregou o material ao STF na quarta-feira (11).
Investigadores dizem não se lembrarem de, em outras apurações, terem visto uma solicitação semelhante. O Master tem sido marcado por decisões centralizadoras e fora da praxe, segundo fontes do caso.
Panorama das medidas incomuns
- Toffoli elevou o caso ao STF com poucos indícios de envolvimento de pessoas com foro, ainda sem confirmação de parlamentares.
- O sigilo foi aumentado ao ponto de dificultar o acompanhamento do andamento da apuração.
- Celulares de Vorcaro e de outros investigados foram inicialmente retirados da PF para perícia no STF, depois reencaminhados à PGR.
- O cronograma de depoimentos ficou sob controle exclusivo do ministro, não do ritmo da investigação.
- Houve redução do tempo para ouvir investigados, alegando falta de salas no STF.
- Os depoimentos passaram a ocorrer no STF, não na PF, como é comum.
- Acareação foi determinada antes de depoimentos individuais, em contrapartida ao procedimento usual.
- Peritos da investigação foram escolhidos pelo ministro, destoando da prática de a PF indicar técnicos.
- A requisição de dados de celulares ocorreu após Vorcaro ter sido citado em conversas.
Não há confirmação de crimes envolvendo o ministro até o momento. Contudo, o conjunto de medidas e o vínculo do escritório de Toffoli com uma empresa que recebeu aporte de fundo ligado a Vorcaro geram cobranças públicas por transparência.
A viagem de Toffoli, em jatinho, com um dos advogados do investigado no caso Master, também entra no debate sobre os contatos do magistrado com as partes. Esses elementos reforçam as perguntas sobre a atuação no caso, sem, porém, indicar conduta ilegal.
A divulgação das novas decisões ocorre em meio a avaliações sobre possíveis impactos na relação entre PF e STF. As informações oficiais sobre sigilo e andamento processual são preservadas pelas autoridades.
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