- O governo informou que o referendo sobre a iniciativa do SVP que propõe limitar a população da Suíça a 10 milhões será realizado em 10 de junho.
- A proposta prevê, se a população permanente passar de 9,5 milhões, restringir a entrada de novos imigrantes, incluindo requerentes de asylum.
- Caso alcance 10 milhões, novas restrições entrariam em vigor e o país poderia reduzir ou romper o acordo de livre circulação com a União Europeia.
- Empresas e entidades suíças, como Roche, UBS e Nestlé, alertam que a medida pode ameaçar acordos com a UE e prejudicar a economia.
- A opinião pública está dividida: pesquisa de dezembro indicou 48% de apoio à iniciativa, refletindo o debate sobre a abertura do país.
A Swiss People’s Party (SVP) levou ao público a proposta de limitar a população do país a 10 milhões. O referendo está marcado para 10 de junho. A iniciativa exige que o governo e o parlamento atuem para restringir a entrada de novos residentes assim que a população permanente superar 9,5 milhões, incluindo requerentes de asilo e familiares de estrangeiros. Se chegar a 10 milhões, novas restrições entrariam em vigor.
Segundo o texto da proposta, caso não haja queda populacional, o governo seria obrigado a abandonar o acordo de livre circulação com a União Europeia, o maior parceiro comercial da Suíça. A medida geraria impacto direto sobre acordos existentes e o fluxo de bens e pessoas.
A população suíça tem crescido mais rápido do que a média da UE nos últimos dez anos, impulsionada por trabalhadores de baixa qualificação e expatriados altamente remunerados. Dados oficiais apontam que cerca de 27% dos moradores não são cidadãos suíços.
A SVPargava a maioria no parlamento há anos e costuma ligar imigração a pressões sobre aluguel, infraestrutura e serviços públicos. A legenda tem mostrado imagens e relatos que associam imigração a crimes, levantando críticas sobre alarmismo.
Impactos econômicos e diplomáticos
Receio de prejuízos para o comércio levou bancos e grandes empresas a se posicionarem contra a medida. Roche, UBS e Nestlé citam risco à relação bilateral com a UE e à continuidade de contratos de acesso ao mercado único.
A Economiesuisse classifica a proposta como “iniciativa de caos” e sustenta que muitas empresas dependem de trabalhadores europeus. A incerteza pode levar empresas a relocarem operações, com impacto sobre receita fiscal e serviços públicos.
A Suíça utiliza um sistema de democracia direta que permite iniciativas populares. Para serem aprovadas, elas precisam de apoio de pelo menos 100 mil pessoas em 18 meses. Entre as propostas, a SVP tem histórico de campanhas anti-imigração.
Contexto político e perspectiva pública
Uma sondagem de dezembro indicou 48% de apoio à iniciativa, sinalizando uma divisão acentuada sobre o nível de abertura do país. O resultado do pleito pode redefinir a relação com a UE e o modelo de migração.
Partidos rivais defendem manutenção de fortes vínculos com a Europa como única opção para sustentar o comércio suíço. Aproximadamente metade das exportações suíças vão para o mercado europeu, segundo dados oficiais.
A discussão envolve também o setor privado, que enfatiza a necessidade de trabalhadores estrangeiros para manter a competitividade. A próxima etapa é o debate parlamentar e a campanha de diferentes frentes antes do pleito de junho.
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