- Observadores dizem que o contrato de NHS com Palantir, no valor de £330 milhões, pode não trazer o valor esperado devido à percepção pública sobre a empresa.
- Documentos privados mostram que, em 2025, oficiais de saúde alertaram que a imagem de Palantir, que já trabalha com operações de imigração dos EUA, pode atrasar o lançamento de uma plataforma de dados no NHS.
- Até o ano passado, menos da metade das autoridades de saúde na Inglaterra haviam adotado a tecnologia, com oposição de pacientes e médicos, incluindo a Associação Médica Britânica.
- MPs criticaram Palantir nesta semana, chamando a empresa de “horrível” e “uma organização altamente questionável”; o caso também envolve relações anteriores com figuras públicas.
- Em junho de 2025, uma briefing privado para Wes Streeting sugeriu possível atraso na implementação e a necessidade de reavaliar regulamentos sobre informações confidenciais de pacientes, para acelerar o andamento do projeto.
O NHS enfrenta dúvidas sobre um contrato de 330 milhões de libras com a Palantir para criar uma plataforma de dados baseada em IA. Oficiais de saúde argumentam que a reputação da empresa pode comprometer a implementação do sistema no Reino Unido, segundo briefings obtidos pelo Guardian.
Em 2023, o governo britânico escolheu a Palantir, firma de tecnologia de vigilância com atuação nos EUA e em operações ligadas ao ICE, para ligar dados de saúde de diferentes serviços. O objetivo é integrar informações dispersas do NHS, com uso potencial de IA.
Relatos indicam que, em razão de pressões políticas, houve preocupação interna de que a imagem pública da Palantir dificultaria a entrega do projeto e prejudicaria o custo-benefício do contrato. O tema ganhou relevância após demanda de rápidos avanços por parte de Keir Starmer.
Até o ano passado, menos da metade das autoridades de saúde na Inglaterra tinha iniciado a utilização da tecnologia, enfrentando resistência de parte do público e de médicos. A British Medical Association cita possibilidade de recusa de uso de partes do sistema.
Nesta semana, deputados classificaram a Palantir como “horrível” e “organização altamente questionável”, em sessão na Câmara dos Comuns. O histórico da empresa com casos de imagem pública também é destacado por ligações com o lobby de figuras públicas.
O material obtido por meio da Lei de Liberdade de Informação foi entregue à organização Foxglove, que atua em defesa de transparência. O documento privado evidencia que a divulgação para Wes Streeting, antes de encontro com o executivo europeuo da Palantir, Luís Mosley, em 2025, indicou dúvidas sobre a entrega do projeto.
Segundo o briefing, a percepção pública sobre a Palantir pode afetar a entrega da plataforma de dados de saúde, dificultando avanços e a inclusão de dados de médicos de família localmente. O texto também aponta debates sobre privacidade dos pacientes e o risco de o NHS ficar vinculado a um único fornecedor.
Reações incluem críticas de representantes da associação médica britânica e de grupos de defesa de transparência. A defesa da Palantir sustenta que a tecnologia melhora serviços públicos, cita ganhos como aumento de cirurgias e redução de atrasos, além de apoiar atividades de forças de segurança e de polícia.
Até o momento, o número de organizações do NHS usando a tecnologia da Palantir subiu de 118, em junho, para 151, ainda aquém da meta de 240 até o fim do ano. Fontes do NHS e do Departamento de Saúde foram procuradas para comentar.
Entre na conversa da comunidade