- Gail Slater, chefe da divisão de antitruste do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, foi afastada da administração Trump após um mandato conturbado e meses de tensões com assessores seniores.
- A saída ocorreu após um relacionamento tenso com a procuradora-geral Pam Bondi, que considerava irreconciliáveis as divergências sobre a direção e a gestão da divisão.
- JD Vance, que já foi um aliado próximo de Slater, passou a questionar o uso de seu nome para respaldo junto a colegas, contribuindo para o isolamento da ex-funcionária.
- A disputa central envolveu a tentativa de bloquear a fusão de 14 bilhões de dólares entre Hewlett Packard Enterprise e Juniper Networks, com Slater resistindo por temer a criação de um duopólio, apesar de a CIA levantar dúvidas sobre riscos à segurança nacional.
- O ex-vereador interino Omeed Assefi deve assumir o comando da divisão de forma interina; anteriormente, a gestão da divisão já havia visto a saída de dois subsecretários para acalmar os ânimos.
Gail Slater, chefe da divisão de antitruste do Departamento de Justiça dos EUA, foi afastada da administração Trump nesta quinta-feira após um mandato conturbado e meses de atrito com autoridades do gabinete, segundo pessoas com conhecimento direto do caso. Slater confirmou a saída em uma postagem, dizendo que sai com tristeza, mas com a esperança de continuar contribuindo. Ela teve a opção de se demitir ou ser desligada.
A destituição ocorre após relacionamentos tensos dentro da liderança do DoJ, especialmente com a atual procuradora-geral Pam Bondi, que insistiu recentemente que as divergências sobre a direção da divisão eram irreconciliáveis. Slater também ficou isolada externamente, inclusive com o ex-alinhado JD Vance, que se afastou da advogada por repetições de que tinha proteção dele, apesar de objeções públicas de Vance.
A saída representa uma vitória para Bondi e para aliados de Trump que se mostravam cada vez mais insatisfeitos com a atuação de Slater desde o ano passado, especialmente em relação à tentativa de bloquear a fusão entre Hewlett Packard Enterprise e Juniper Networks, estimada em US$ 14 bilhões. Em meio ao impasse, o governo acabou negociando um acordo com a HP Enterprise.
Segundo três pessoas próximas ao caso, Slater se opôs à fusão por enxergar potencial criação de um duopólio no setor de computação em nuvem e redes sem fio. Slater afirmou a Bondi que o Comitê de Inteligência dos EUA não havia levantado preocupações de segurança nacional para bloquear o negócio, o que seria um embasamento legítimo para prosseguir com a transação. A revelação provocou desdobramentos internos, já que o diretor da CIA, John Ratcliffe, afirmou que bloquear a fusão traria riscos de segurança nacional e questionou por que não foi consultado.
Bondi chegou a expressar a colegas a sensação de que Slater mentiu para justificar a continuidade da ação, levando a Justiça a abandonar o processo em junho de 2025 e buscar um acordo com a HP Enterprise. O atrito também se estendeu a questões administrativas: ano passado, Bondi negou a participação de Slater em uma conferência da OECD em Paris, mas a procuradora acabou permitindo que a antitruste participasse, o que motivou a cancelamento de cartões de crédito públicos de Slater.
O ex-ator chefe interino da divisão, Omeed Assefi, deve assumir o posto de forma interina até a nomeação de um substituto definitivo. Não houve comentários imediatos do DoJ ou da Casa Branca. Slater havia ganhado visibilidade ao acelerar, sob aprovação de Vance, a revisão de propostas de fusão para incentivar negócios, reduzindo o prazo de avaliação além dos 30 dias usuais quando não havia problemas de concorrência.
A gestão de Slater foi marcada pela tentativa de tornar o processo de avaliação de fusões mais célere, buscando equilíbrio entre agilidade regulatória e rigor antitruste. A controvérsia em torno do caso HP-Juniper e as dificuldades de relacionamento com Bondi contribuíram para o desfecho desta semana.
Entre na conversa da comunidade