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A passividade enigmática dos russos

Análise aponta que repressão não explica lacuna de protestos na Rússia frente a Irã e Ucrânia; falta de grupo estratégico limita participação

Russian woman with anti-war sign observed by police in Moscow
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  • A reportagem compara a passividade russa com Irã e Ucrânia, apontando queda de protestos de massa na Rússia desde 2011–2012, diferente do que ocorreu na Ucrânia e, hoje, no Irã.
  • A autora cita a visão de M. Gessen de que a repressão e a atomização geram protesto apenas individual, dificultando ações coletivas no país.
  • Segundo o texto, a ação coletiva depende de um grupo estratégico capaz de coordenar, coagir ou oferecer incentivos; na Rússia de hoje, esse grupo praticamente não existe.
  • O contraste com o Irã demonstra que falta de recursos coercitivos e materiais impede a oposição de sustentar protestos, mesmo diante de antagonismo contra o regime.
  • A reportagem conclui que mudanças exigem um grupo estratégico bem financiado ou a saída de Putin, pois, enquanto ele permanecer, o conceito de democracia enfrenta obstáculos profundos.

O artigo analisa por que a repressão não explica sozinha a diferença de protestos entre Moscou, Teerã e Kyiv, e compara a passividade russa com a agitação de Irã e Ucrânia. Debate hipóteses sobre motivos, organização e incentivos para a ação coletiva.

Autores destacam que, desde o fim da era soviética, russos e ucranianos costumaram agir nas ruas, mas os caminhos divergem. Protestos em 2011-2012 mobilizaram massas na Rússia; a Ucrânia viveu a Revolução Laranja e o Maidan, em 2000-2014, com grandes mobilizações.

A autora cita a visão de M. Gessen, que atribui a inércia russa à repressão e à atomização social, onde protestos de massa se tornaram improváveis e o ato isolado ganhou força. O retrato é de desacordo entre coletividade e risco individual.

Contexto de participação coletiva

Especialistas apontam que ações políticas dependem de coordenação entre grupos com objetivos comuns. Coerção, incentivos materiais e persuasão moldam a decisão de participar, elevando o custo de ficar à margem.

Segundo a teoria, regimes com controle de forças coercitivas podem frear protestos, enquanto redes de oposição enfrentam dificuldades para oferecer benefícios concretos que movam os cidadãos a agir.

O texto discute ainda que, na Rússia, o grupo estratégico capaz de organizar custos e recompensas não se consolidou de forma eficaz. Em contraste, Irã e outras nações enfrentam estruturas diferentes de represália e incentivo.

Persuasão e emoções

A crença em democracia mobilizou pessoas na Ucrânia, na Rússia histórica e em outros países da região. A ideologia pode elevar a sensação de injustiça diante de abusos eleitorais e políticas, levando indivíduos a protestar.

Apesar disso, o artigo aponta que, na Rússia contemporânea, a combinação de fatores persuasivos ainda não gerou uma frente de mobilização estável. A adesão a princípios democráticos não se consolidou plenamente entre a população.

O texto também avalia o papel da popularidade de líderes autoritários, destacando que Putin mantém índices de aprovação elevados que, segundo a análise, não favorecem a visão de democracia como objetivo comum.

Perspectivas futuras

Caso surja um grupo estratégico com recursos para pressionar mudanças, a cooptação ou o repasse de incentivos pode favorecer ações democráticas, mesmo diante de ceticismo público. A possibilidade depende, porém, da saída de Putin.

Historicamente, mudanças políticas profundas requerem movimento organizado ou intervenção externa. A discussão aponta que cenários de transição dependeriam de fatores internos às elites, bem como do cálculo de custos entre permanecer no status quo e reformar.

O artigo encerra ao sugerir que a chave é a formação de um grupo com capacidade de coerção, recursos e persuasão para atrair participação cívica. Sem isso, a ação coletiva permanece limitada às possibilidades de mobilização pontual.

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