- Pesquisadores entrevistaram 1.072 pessoas e mostraram que três em cada cinco familiares de profissionais migrantes temem ser separados sob as novas regras.
- O governo propõe ampliar o tempo para conseguir residência permanente, de cinco para dez anos; para trabalhadores sem nível superior, o tempo sobe para quinze anos.
- A Praxis aponta que quase metade dos entrevistados está em visto de trabalho, com atuação em saúde e assistência social, educação e tecnologia; 12% são Hong Kongers.
- Estudos indicam que mais de 300 mil crianças já no Reino Unido poderiam enfrentar 10 anos de espera por status de settled; até 1,7 milhão estavam em rota de regularização no fim do ano passado.
- Lideranças da enfermagem alertam que até cinquenta mil enfermeiros podem deixar o país, sinalizando uma crise de pessoal no NHS.
A indústria de cuidados no Reino Unido enfrenta uma mudança de regras de imigração que pode separar famílias de profissionais estrangeiros. Um levantamento feito pela Praxis, com 1.072 participantes, aponta que 60% temem ficar longe de parentes após as mudanças propostas. O estudo indica também que dois terços se sentem menos bem-vindos no país.
A pesquisa revela que mais da metade dos entrevistados acredita que permanecer no Reino Unido ficará mais difícil, diante de uma reforma que mira trabalhadores migrantes. O governo defende as alterações como forma de valorização da contribuição dos imigrantes e de melhoria do controle migratório.
O que está em jogo
As propostas elevam o tempo necessário para a residência permanente de cinco para 10 anos, com exceção de pessoas em empregos abaixo do nível superior, para 15 anos. A Praxis afirma que isso pode afetar centenas de milhares de pessoas já em processo de eventual regularização.
Entre os entrevistados, quase metade possuía visto de trabalho, com um terço atuando na saúde e assistência social, e 15% em TI. Um sexto estava com visto de família, e 12% são de Hong Kong, migrantes que chegaram após a imposição da lei de segurança da China.
Reações e impactos no cotidiano
Minnie Rahman, executiva da Praxis, aponta que as propostas representam um novo ato de dano econômico e destacam que muitos protagonistas atuam em setores cruciais como NHS, cuidados e tecnologia. Segundo a organização, o governo precisa reconhecer a contribuição desses trabalhadores para a economia.
Segundo análises do IPPR, até 1,7 milhão de pessoas no Reino Unido, em caminho para a residência, podem ter de aguardar mais cinco anos para obter autorização permanente. O estudo ainda aponta que o custo atual de uma rota de 10 anos para residência fica próximo de 20 mil libras por adulto.
Perspectivas de profissionais e universidades
Relatos de profissionais da saúde descrevem dificuldades financeiras e insegurança. Uma trabalhadora de saúde afirmou que migrou para o país em 2009 como profissional qualificada, pagou impostos e contribuiu com a economia, mas enfrenta instabilidade que agrava a pobreza.
A questão também preocupa famílias com filhos que já vivem no país. Pesquisadores estimam que o atraso na regularização pode ampliar vulnerabilidades econômicas e sociais entre crianças e jovens dependentes de status familiar.
Posicionamentos oficiais e timeline
O governo sustenta que as reformas são as maiores em 50 anos e visam priorizar contribuição e integração, citando pressão sobre o sistema de asilo. Um porta-voz do Home Office afirmou que há necessidade de restaurar a ordem migratória diante de um sistema sob estresse.
A discussão envolve também a oposição trabalhista, que critica a retroatividade das mudanças e aponta impactos desiguais sobre migrantes já presentes no país. A disputa política permanece centrada na forma de implementação e nos efeitos sociais.
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