- A/O conflito principal em Gaza encerrou as hostilidades em grande escala, mas posições irreconciliáveis entre Israel e Hamas devem dificultar avanços para governança e desmilitarização.
- Há relatos de que Israel planeja operação contra Hamas em parte de Gaza, o que mantém incerteza sobre o futuro da região.
- A situação humanitária melhorou comparativamente, com mais refeições diárias para famílias e reabertura de mercados e pontos de distribuição de ajuda, ainda que muitos ainda vivam em tendas.
- A reconstrução enfrenta enormes desafios: quase todas as moradias danificadas ou destruídas e milhões de toneladas de escombos, além de serviços básicos e saúde ainda precários.
- O governo dos Estados Unidos prepara uma “Board of Peace” para 19 de fevereiro, enquanto persiste a dificuldade de provar um caminho viável para governança, desmilitarização e participação palestina.
Ao menos por ora, o conflito em Gaza não se reabre em grande escala, mas as posições entre Israel e o Hamas permanecem irreconciliáveis. Netanyahu e Trump dirigentes devem reconhecer que as perspectivas para Gaza são sombrias, mesmo com o fim das ações militares intensas.
O fim da ofensiva em larga escala reduz o risco de retomada imediata de combates, segundo relatos. A pressão dos EUA, a dificuldade de alcançar metas militares israelenses e o cansaço com mobilização de reserva contribuíram para esse cenário.
Apesar da trégua, a situação humanitária continua crítica. Dados da FAO e de agências de ajuda apontam melhoria relativa, com aumento de refeições e retorno de alguns alimentos aos mercados, porém a maioria dos residentes vive em tendas, e 92% das moradias foram danificadas ou destruídas.
Cerca de 50 milhões de toneladas de escombros permanecem no território, o que prejudica serviços básicos de saúde e saneamento. O acesso a ajuda humanitária continua limitado, agravando riscos de surtos de doenças. Israel mantém restrições a organizações humanitárias na região.
A primeira fase do plano de paz de Trump avança lentamente. A fronteira de Rafá com o Egito reabriu recentemente, restringida a tráfego pedonal. O trânsito ainda é limitado, com poucas pessoas liberadas para passar, mas a abertura pode facilitar tratamento médico no exterior para milhares de Gaza.
Governança e demilitarização
Relatórios indicam que o comitê técnico encarregado de administrar Gaza terá poder até que o Hamas concorde com a demilitarização. Fontes próximas citam discussões entre Egito, Hamas e outras partes, sem consenso claro sobre desarmamento ou força internacional de estabilização.
O plano internacional, se chegar a existir, exige mandato, financiamento e tempo. Observa-se que qualquer força de estabilização dependeria da concordância do Hamas e de um eventual recuo de Israel a uma perimeter de segurança, cenário considerado improvável.
Desafios políticos e regionais
O governo de Netanyahu busca manter a coalizão de direita e evitar concessões que aliviem a influência da Autoridade Nacional Palestinista, mantendo oposição a um Estado Palestiniano. A dinâmica interna dificulta avanços significativos no plano de paz.
O papel dos mediadores árabes é visto como crucial, mas o apoio a uma solução abrangente depende de pressões coordenadas entre Estados árabes, Washington e as lideranças israelenses e palestinas. O benefício regional depende de uma visão compartilhada de longo prazo.
Perspectivas futuras
Esforços para avançar na governança de Gaza enfrentam resistência de ambos os lados. Mesmo com avanços em infraestrutura e serviços, a demilitarização, a reconstrução e a legitimidade política permanecem centrais e problemáticos. O resultado depende de acordos que hoje parecem improváveis.
Entre na conversa da comunidade