- O secretário permanente do Departamento de Trabalho e Pensões (DWP), Sir Peter Schofield, anunciará sua saída em julho por motivos pessoais.
- A decisão ocorre após críticas à gestão do DWP no caso de overpayments da carer’s allowance, que levou milhares de cuidadores a entrarem em dívidas e gerou indignação pública.
- O DWP diz que a saída de Schofield não está ligada às críticas recentes à liderança do departamento.
- Um comitê de deputados pediu mais confiança na capacidade de Schofield de liderar melhorias, citando uma “cultura de complacência” no órgão.
- O governo ordenou a reavaliação de cerca de duzentas mil casoss de carer’s allowance, com estimativas de que cerca de vinte e seis mil cuidadores possam ter dívidas canceladas ou reduzidas.
Sir Peter Schofield anunciaria nesta semana que deixará o cargo de secretário permanente do Departamento de Trabalho e Pensões (DWP) em julho, por motivos pessoais. A decisão ocorre em meio a críticas sobre a condução de políticas de benefícios, especialmente do carer’s allowance.
O anúncio foi feito a funcionários do DWP, após relatos de que falhas históricas no pagamento de benefícios deixaram milhares de cuidadores endividados e, em alguns casos, levaram a condenações por fraude. O assunto ganhou repercussão e comparação com o escândalo do Post Office.
Schofield informou que, após oito anos no posto, vai tirar um tempo para refletir sobre o próximo passo e passar mais tempo com a família. No entanto, o governo sustenta que a saída não está relacionada às críticas recentes à liderança do órgão.
Contexto e desdobramentos
O ministério enfrenta escrutínio desde uma investigação do Guardian sobre falhas sistêmicas na gestão do carer’s allowance, com falhas de desenho de benefício e orientações administrativas falhas. A falha afetou milhares de cuidadores, gerando dívidas significativas.
Relatório independente encomendado pelo governo, divulgado em novembro, atribui as falhas a falhas de liderança, desenho do benefício e orientação administrativa inadequada ou ilegal. Autora do relatório, a especialista em direitos das pessoas com deficiência, Liz Sayce, ressaltou a falta de curiosidade organizacional na DWP sobre o impacto.
Profissionais da área também criticaram a capacidade de resposta da DWP, inclusive integrantes do comitê de trabalho e pensões, que destacaram uma “cultura de complacência” dentro do órgão. O comitê pediu maior garantia de salvaguardas aos requerentes.
Até agora, o governo pediu a reavaliação de cerca de 200 mil casos de cuidadores com possíveis overpayments. Estima-se que cerca de 26 mil cuidadores tenham dívidas canceladas ou reduzidas.
Reação institucional
A presidente do comitê, Debbie Abrahams, agradeceu a Schofield pelo serviço, mas afirmou que o grupo continuará cobrando o governo para assegurar salvaguardas aos requerentes. O DWP destacou a liderança de Schofield na expansão de benefícios e na resposta à demanda durante a pandemia.
O órgão informou que a saída se dá ao longo de um processo de transição e que continuará a trabalhar para melhorar os serviços, incluindo o carer’s allowance, conforme promessas de melhoria feitas ao longo dos anos.
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