- Jamie Raskin, membro da liderança do comitê judiciário da Câmara, acusou o Departamento de Justiça de manter “redações misteriosas” em arquivos ligados a Jeffrey Epstein, o que ocultaria nomes de abusadores e exporia as vítimas.
- Ele teve acesso aos arquivos não redigidos em uma instalação governamental em Washington, DC, no primeiro dia em que as informações foram disponibilizadas aos legisladores.
- A Lei de Transparência de Arquivos de Epstein permite redigir dados para proteção das vítimas, mas Raskin diz ter visto documentos com detalhes identificáveis que deveriam ter sido ocultados.
- O lote divulgado totaliza cerca de 3,5 milhões de arquivos; havia aproximadamente 3 milhões ainda não disponibilizados, segundo o congressista.
- Entre os nomes supostamente removidos estavam Les Wexner; Raskin afirmou ter visto também um e‑mail de Epstein a Ghislaine Maxwell com relatos sobre uma conversa com advogados de Trump.
Jamie Raskin contesta o DoJ após revisão de arquivos não redigidos de Epstein
O congressista Jamie Raskin, principal democrata da comissão de Justiça da Câmara, acusou o Departamento de Justiça de manter “redações misteriosas” em documentos sobre Jeffrey Epstein, o que teria ocultado nomes de abusadores e exposto vítimas. A crítica veio após ele analisar os arquivos não redigidos em um centro governamental em Washington, DC, no primeiro dia em que os documentos ficaram acessíveis aos parlamentares.
Raskin ressaltou que houve redações desnecessárias e que nomes de vítimas continuaram visíveis em alguns arquivos, o que, segundo ele, configura falha ou intencional exposição. O republicano afirmou estar preocupado com o que chamou de possível uso de dados sensíveis para intimidar futuras testemunhas.
O congressista informou ter visto, em apenas uma fração dos arquivos disponíveis, informações que mencionam figuras ligadas ao caso, incluindo o empresário Les Wexner, apontado como associado de Epstein. Ele também mencionou um e-mail em que Epstein, por meio de um colega, descreve conversas com representantes de Donald Trump por volta de 2009, envolvendo a presença do empresário em eventos na propriedade de Mar-a-Lago.
O conjunto de arquivos foi liberado sob a Epístola de Transparência dos Arquivos de Epstein, aprovada pelo Congresso em novembro. A legislação autoriza, em condições limitadas, a redacção para proteger identidades de vítimas; ainda assim, milhões de documentos já tornados públicos apresentaram informações identificáveis em alguns casos.
Raskin disse que planeja levar as questões ao encontro com a procuradora-geral Pam Bondi, marcada para cumprir depoimento diante da comissão. O objetivo é esclarecer o processo de redacção e pressionar pela liberação de mais itens ainda não tornados públicos, estimando haver cerca de 3 milhões de arquivos pendentes.
Separadamente, Ghislaine Maxwell, já presa e condenada pela associação em redutos de tráfico de menores, recusou-se a responder perguntas durante depoimento à comissão de Supervisão da Câmara, que lidera as investigações sobre o manejo do caso.
No exterior, o tema também ganha repercussão: no Reino Unido, surgiram informações sobre laços entre Epstein e Peter Mandelson, nomeado embaixador do Reino Unido nos EUA. Raskin apontou que os documentos exibidos são suficientes para acender polêmica política internacional, mas apenas parcialmente mobilizam o debate nos EUA.
Raskin afirmou que os arquivos contêm referências a meninas ainda muito jovens e sublinhou a gravidade da crise. Mesmo diante da repercussão britânica, ele pediu foco na verificação dos procedimentos do DoJ e na responsabilização por eventuais falhas no tratamento dos documentos.
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