- Procuradores pedem quarenta e cinco anos de prisão para Hashim Thaci, ex-presidente do Kosovo, e para três chefes da Organização das Guerrilhas de Libertação do Kosovo (OGLK/ KLA).
- As acusações abrangem perseguição, assassinato, tortura e desaparecimentos forçados durante e após o levante de mil novecentos e noventa e oito a mil novecentos e noventa e nove.
- O julgamento ocorre no Tribunal Especial de Crimes de Guerra do Kosovo, em Haia, criado em mil quinhentos e quinze para julgar ex-guerrilheiros da KLA sob leis kosovares.
- Segundo a promotoria, mais de cem oponentes políticos e suspeitos de colaboração com as forças sérvias foram mortos e centenas torturados em cerca de cinquenta campos de detenção geridos pela KLA.
- A defesa alega que Thaci não possuía controle real sobre a KLA, enquanto a promotoria afirma que o objetivo era obter controle total sobre o Kosovo; o tribunal é visto por alguns como parcial.
O Ministério Público de tratamento de crimes de guerra pediu a condenação de Hashim Thaci, ex-presidente do Kosovo, a 45 anos de prisão, por supostos crimes de guerra. A acusação envolve Thaci e mais três ex-comandantes da KLA, a guerrilha kosovar, por perseguição, assassinato, tortura e desaparecimentos forçados durante e logo após o levante de 1998-1999.
Segundo os promotores, os acusados buscam controlar todo o Kosovo por meio de uma campanha violenta contra opositores políticos, minorias étnicas e supostos colaboradores das forças de segurança sérvias. Mais de 100 opositores políticos teriam sido mortos e centenas teriam sido torturados em acampamentos mantidos pela KLA, entre 50 instalações.
Thaci, hoje com 57 anos, ocupou cargos de primeiro-ministro, ministro das Relações Exteriores e presidente entre 2008 e 2020. Os réus negam todas as acusações e defendem que Thaci não tinha controle efetivo sobre a KLA durante o levante e o período pós-luta.
Os promotores destacam que a maior parte das vítimas faz parte da maioria étnica albanesa do Kosovo, apontando uma dinâmica de perseguição para consolidar o domínio sobre o território. O caso está sendo julgado pela Kosovo Specialist Chambers, tribunal internacional criado em 2015 para tratar de crimes de guerra no Kosovo, conforme a legislação local.
O tribunal, sediado em Haia, tem uma composição internacional de juízes e advogados e é visto por muitos kosovares como instrumento de responsabilização de integrantes da KLA, que lideraram a luta pela independência frente à Sérvia. O desfecho do processo ainda não foi divulgado.
Relatórios sobre o andamento do julgamento são produzidos por agências internacionais, com base em documentos apresentados no tribunal. A cobertura segue em curso, sem conclusão anunciada.
Semana após intensos preparativos, o caso continua em andamento na corte especial de Haia.
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