- Alf Dubs critica Shabana Mahmood, sugerindo que ela pode estar “pulling up the drawbridge” para crianças refugiadas no exterior.
- O ex-membro do Parlamento britânico, que chegou ao Reino Unido pela Kindertransport, acusa o governo de kowtowing à Reform UK e de impedir a reunião de famílias de refugiados não acompanhados.
- O governo de Keir Starmer propõe mudanças na lei de asilo, incluindo a suspensão dos vistos de reunião familiar até a primavera de 2026.
- Mahmood diz que serão abertas rotas seguras e legais para refugiados assim que a ordem nas fronteiras for restaurada; Dubs defende permitir que algumas crianças sem acompanhantes se unam a familiares com status de refugiados.
- Histórico e contexto: Dubs foi responsável por ações anteriores para abrigar crianças refugiadas; ele pretende pressionar por novas mudanças para facilitar a entrada de crianças não acompanhadas.
Alf Dubs, veterano da oposição trabalhista, criticou planos do governo sobre refugiados. Em entrevista ao Guardian, ele disse acreditar que Shabana Mahmood, ministra do interior, pode estar dificultando a entrada de crianças refugiadas acompanhadas de familiares no Reino Unido. Ele comparou a atuação de secretários de interior a uma “fechadura”, sugerindo que o contexto de quem propõe as políticas influi na abordagem.
Dubs, que chegou à Inglaterra com seis anos em 1939 pelo Kindertransport, relatou não se surpreender com secretários de origem migrante adotando posturas duras. O ex-parlamentar pediu que o governo considere a reunificação familiar para crianças refugiadas em situação externa ao país, desde que tenham parentes com status de residente no Reino Unido.
A Câmara dos Comuns vem pressionando o governo de Keir Starmer após anunciar uma reforma ampla das leis de asilo, incluindo a suspensão de vistos de reunião familiar até 2025. O governo tem rejeitado propostas de Dubs e de entidades de apoio a refugiados para facilitar a aplicação de crianças que já estão fora do país.
Contexto e números
Mahmood afirmou que novas vias seguras e legais serão abertas para refugiados assim que a ordem nas fronteiras for restabelecida. O Ministério do Interior informou que a suspensão dessa prática visa reorganizar o sistema, com duração prevista até primavera de 2026, quando podem surgir novas exigências.
Entre outubro de 2024 e setembro de 2025, o Home Office concedeu 20.876 vistos de reunião familiar para refugiados. Mais da metade foi destinada a crianças, com 37% para mulheres adultas, segundo o Refugee Council. No entanto, após a suspensão, crianças não têm direito à reunião familiar automática.
Perspectivas de mudança
Dubs havia tentado alterar o projeto de lei de segurança na fronteira para permitir que crianças não acompanhadas no exterior se reunissem com parentes com estatuto de refugiado. A proposta foi derrotada pelo governo, mas ele sinalizou interesse em propor mudanças adicionais para ampliar esse direito.
Mahmood indicou planos para ampliar vias de refúgio legais, além de manter controles de fronteira mais firmes. A ministra também avalia ampliar o tempo necessário para trabalhadores migrantes obter residência permanente, passando de cinco para dez anos, segundo relatos ligados à reportagem.
Um porta-voz do Home Office destacou que, com as reformas em curso, a família de refugiados não terá mais direito automático de reunião. Indivíduos elegíveis ainda poderão buscar outras vias para se reunirem com familiares.
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