- Kassab quer lançar candidatura própria à Presidência, mas o PSD vive divisão: parte das bancadas estaduais, especialmente no Nordeste, sinaliza apoio à reeleição de Lula.
- O Nordeste é estratégico e, mesmo com candidatura do PSD, há racha entre atuação nacional e alianças locais pró-Lula em estados como Bahia, Pernambuco, Ceará, Sergipe e Piauí.
- O presidente do PSD tem feito movimentos para ampliar a bancada, anunciando mudanças de siglas e a vinda de deputados do PSDB e do Cidadania, além de fortalecer a agenda da “terceira via”.
- Em Minas Gerais, o PSD não trabalha pela reeleição de Lula; há articulações para candidatura ao governo por parte do PSD, com Lula indicando apoio a eventual candidato como Pacheco em MG.
- Em São Paulo, o PSD busca manter espaço ao lado do governador Tarcísio de Freitas; o vice-governador é do PSD, e há pressão para filiação de Tarcísio ao PL, mantendo o palanque da sigla no maior colégio eleitoral.
O PSD enfrenta uma racha interna entre alinhamento nacional e alianças regionais. Enquanto Gilberto Kassab, presidente da sigla, busca lançar candidatura própria à Presidência, parte das bancadas estaduais, especialmente no Nordeste, sinaliza apoio à reeleição de Lula (PT). A posição varia conforme estado.
Kassab afirma que o partido poderá lançar candidatura ao Planalto e avalia a possibilidade de uma chapa pura, citando exemplos recentes de coalizões dentro do PSD, como Ratinho Júnior no Paraná e Eduardo Paes no Rio. A leitura é de autonomia regional para decisões estratégicas.
Ele busca atuar como fiador de uma eventual chamada terceira via, anunciando que seis deputados estaduais do PSDB e um do Cidadania vão para o PSD a partir de 4 de março. Também agregou o governador Marcos Rocha (RO) ao partido, ampliando o leque de alianças.
No cenário nacional, Kassab sinaliza apoio ao bolsonarismo em um possível segundo turno, caso Flávio Bolsonaro esteja na disputa. Jair Bolsonaro já indicou que o filho é pré-candidato do PL. A visão de Kassab contrasta com a adesão de diretórios que apoiam Lula nos estados.
No Nordeste, a divisão se revela com maior intensidade. Vários estados sinalizam respaldo a Lula, independentemente de o PSD apresentar candidatura própria. Executivos estaduais reconhecem que a unidade nacional pode ficar fragilizada diante de alianças regionais.
Bahia: senador Otto Alencar (PSD) afirmou que o partido apoiará Lula no estado, mantendo aliança conforme acordo com Kassab. Pernambuco: o PSD tem André de Paula, ministro da Pesca, aliado de Lula. Ceará: governadores e lideranças locais mantêm linha com o PT. Sergipe: governador Fábio Mitidieri (PSD) também apoia Lula.
Piauí e Alagoas mantêm base pró-Lula em apoio ao governo estadual. No Maranhão, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), permanece neutro, porém visto como potencial aliado ao campo governista. Tais posições refletem dissidências regionais em relação à estratégia nacional.
Minas Gerais segue uma linha diferente. O PSD mineiro não trabalha pela reeleição de Lula. O governador Romeu Zema deverá deixar o cargo para disputar a Presidência; o vice, Mateus Simões (PSD), já articula candidatura ao governo, mantendo proximidade com setores bolsonaristas.
Rodrigo Pacheco, hoje no PSD, negocia saída para o União Brasil, com objetivo de concorrer ao governo de Minas. Lula indicou apoio a Pacheco em eventual candidatura, ressaltando a importância de Minas para a reeleição.
Em São Paulo, o PSD tenta manter espaço ao lado de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Kassab atua na Secretaria da Casa Civil. O vice-governador Felício Ramuth (PSD) sustenta a presença da sigla na gestão estadual, sob pressão para que Tarcísio migre ao PL. Mantêm-se o foco em palanque sólido para eleições municipais e nacionais.
A direção do PSD reconhece crescimento institucional, com seis governadores, segunda maior bancada no Senado e várias vitórias em 2024. Ainda assim, a ala oposicionista a Lula persiste em estados estratégicos, o que alimenta o debate sobre unidade nacional.
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