- Metade dos 60 centros especializados em tratamento de câncer no Reino Unido congelou contratações de oncologistas clínicos em 2025, mais que o dobro do registrado em 2024 (13 centros, 23%).
- Também mais de um terço dos 160 departamentos de radiologia, responsáveis por realizar e analisar exames, estavam com proibição de contratação de radiologistas em 2025 (36%), aumento em relação a 2024 (19%).
- O Royal College of Radiologists alerta que esses congelamentos podem gerar atrasos perigosos no diagnóstico e no tratamento do câncer.
- O presidente da instituição, Dr. Stephen Harden, chamou as medidas de “visão estreita” e disse que atrasos aumentam o risco de morte em pacientes com suspeita de câncer, especialmente se o tratamento começa com atraso mensal.
- O contexto é financeiro: o NHS passa por ajustes para conter gastos, com centros menores e rurais apresentando maior proporção de congelamentos; o plano nacional de câncer busca ampliar o quadro de profissionais, incluindo em áreas remotas.
Hospitais do NHS impuseram congelamentos de contratação em unidades que diagnosticam e tratam câncer, como parte de um ajuste de contas. A informação é prática de cortes para reduzir gastos, mesmo diante da demanda crescente por atendimento oncológico. A medida afeta centros de tratamento especializados.
Exatamente metade dos 60 centros especializados de câncer do Reino Unido continuava sem contratar oncologistas clínicos em 2025, mais que o dobro do ano anterior (23%). Além disso, 36% das 160 unidades de radiologia restringiram contratações de radiologistas, ante 19% em 2024.
O Royal College of Radiologists (RCR) compilou os dados, alertando que esse aumento pode causar atrasos perigosos no diagnóstico e tratamento de câncer. O presidente da RCR, Dr. Stephen Harden, classificou os congelamentos como frágeis para pacientes e caros a longo prazo.
Harden afirmou que negar contratação quando necessária piora a escassez de médicos, aumenta esperas e pode limitar opções de tratamento, com atrasos que, mensalmente, elevam o risco de morte em pacientes com suspeita de câncer.
Ele atribui a política de contratações à recalibragem financeira do NHS ordenada pelo CEO da NHS England, Sir Jim Mackey, para enfrentar um possível superávit de £6,6 bilhões em 2025-26. A prática atingiu principalmente unidades inglesas.
Dados do RCR indicam que, em áreas rurais ou menos favorecidas, a restrição de contratações foi mais frequente: 60% dos centros nessas regiões, contra 48% em áreas urbanas. O impacto é maior em unidades menores.
O levantamento ocorre em meio ao plano do governo para melhorar o cuidado oncológico na Inglaterra, anunciado recentemente. O plano visa aumentar o quadro de médicos especializados, inclusive em áreas remotas, para reduzir atrasos no diagnóstico e no tratamento.
Especialistas alertam que, com a previsão de aumento de casos, a NHS precisará de mais radiologistas e oncologistas. Organizações como CRUK defendem que planos de longo prazo contemplem recrutamento suficiente e formação de profissionais.
Entre as respostas oficiais, a NHS England informou que a força de trabalho de radiologia e oncologia cresceu cerca de 5% em 2024 e que o plano nacional de câncer prevê treinamentos e novos modelos de atendimento para ampliar a capacidade, sem comentar diretamente os dados do RCR.
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