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Dino freia supersalários após Congresso aprovar novos benefícios

Dino suspende penduricalhos sem base legal; STF analisa medida que pode abalar salários acima do teto para servidores da Câmara e Senado

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu pagamentos acima do teto para servidores dos Três Poderes (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)
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  • Congresso aprovou dois projetos que concedem benefícios acima do teto constitucional a servidores da Câmara e do Senado, elevando remunerações acima do limite atual.
  • Dois dias depois, o ministro Flávio Dino suspendeu todos penduricalhos sem base legal nos três Poderes, medida que ainda será analisada pelo plenário do STF.
  • Licença compensatória e gratificação de desempenho foram criadas, com folga a cada três dias trabalhados e pagamento que pode exceder o teto, sem incidência de Imposto de Renda.
  • Estima-se que os benefícios podem custar até R$ 4,3 bilhões por ano aos cofres públicos; a LOA de 2026 também prevê recursos para reajustes de servidores.
  • O STF ainda pode delimitar quais benefícios são admissíveis; decisões de Dino visam disciplinar práticas de indenização que extrapolam o teto.

Foi mantido o desfecho da semana: o Congresso aprovou dois projetos que autorizam benefícios acima do teto constitucional para servidores. Em seguida, o ministro Flávio Dino, do STF, decidiu suspender todos os penduricalhos que extrapolam o teto nos Três Poderes. A medida está sujeita à análise do plenário.

A decisão de Dino impacta diretamente os benefícios recém-aprovados para funcionários da Câmara e do Senado, que poderiam alcançar até 100% do salário base. Além disso, a presidente licença compensatória permite folga a cada três dias trabalhados, com possibilidade de conversão em indenização sujeita à tributação. Também foi prevista gratificação de desempenho entre 40% e 100% do vencimento.

Contexto e impacto financeiro

Estudos do Centro de Liderança Pública estimam que os benefícios aos servidores da Câmara e do Senado podem custar até 4,3 bilhões de reais por ano aos cofres públicos. A Lei Orçamentária Anual de 2026 reserva 790 milhões para reajustes de servidores, sendo 592 milhões para a Câmara e 198 milhões para o Senado.

Economistas avaliam que há risco de efeito dominó, com pressões para ampliação de penduricalhos em outros órgãos. Alguns entendem que o sinal é inadequado para a condução da reforma administrativa, com impacto visível nas contas públicas.

Detalhes da liminar de Dino

O ministro determinou que órgãos de todos os níveis da Federação revisem as verbas indenizatórias e suspendam aquelas sem base legal, com prazo de até 60 dias. Foi solicitada ao Congresso a edição de uma lei que regule quais benefícios podem ficar fora do teto.

Ainda não está definida a posição final do STF sobre a validade dos penduricalhos. Entre os itens citados por Dino na decisão estão a licença compensatória vendável, gratificações por acúmulo de funções, auxílios de locomoção, educação e combustível, bem como licenças prêmios convertidas em pagamento.

Reações

Especialistas consultados destacam que a decisão pode disciplinar a prática após a aprovação no Congresso, que tem sido alvo de críticas. Avaliam que o cenário atual evidencia a necessidade de equilíbrio entre remuneração e responsabilidade fiscal.

O tema permanece em avaliação no STF, com desdobramentos que podem influenciar a formulação de futuras políticas de remuneração no setor público.

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