- O texto afirma que Donald Trump fortalece a lógica do autoritarismo e do nationalismismo no cenário global, afetando a Turquia.
- Erdogan se apresenta como símbolo de poder nacional, critica os Estados Unidos e mantém cooperação com Trump, mesmo criticando o que chama de agressões imperialistas.
- Erdogan aproxima-se dos EUA em temas que beneficiam seus interesses, chegando a aceitar participar de iniciativas internacionais enquanto muitos aliados da OTAN recusam.
- A oposição turca, liderada pelo CHP com Imamoglu no cargo, enfrenta um desafio: manter apoio liberal e conquistar eleitores conservadores que valorizam firmeza nacional.
- Conflitos entre nacionalismo, pressões internas e a posição da Turquia na Otan mobilizam estratégias diferentes no cenário político, com o CHP buscando manter relevância sem abrir mão de segurança nacional.
Donald Trump é apontado como fator que fortalece autoritarismo e nacionalismo global, influenciando a forma como países reconfiguram a ordem mundial. Em particular, a situação na Turquia é destacada como exemplo crítico dessa lógica.
No governo de Recep Tayyip Erdogan, a Turquia se beneficia de uma relação complexa com Washington. Erdogan critica os EUA, mas também mantém laços com Trump, buscando fortalecer a posição nacional num cenário internacional volátil.
Segundo análises, Erdogan se apresenta como representante de aspirações turcas de poder regional e global, defendendo um mundo multipolar. O líder turco alimenta uma pauta de autoconfiança frente a potências tradicionais.
A estratégia inclui diálogo próximo com adversários do Ocidente, como Nicolás Maduro, e a participação de Ankara em frentes que ampliam a influência turca da Eurásia ao Norte da África. Em janeiro, Maduro foi alvo de ação de forças dos EUA.
Em termos de política externa, Erdogan aceitou participar de um board de cooperação com os EUA, mesmo sem condenar ações contra Maduro. O interesse é ampliar cooperações que favoreçam interesses nacionais turcos.
Imamoglu, candidato do CHP, tem enfrentado dificuldades pelo histórico de prisão por corrupção desde 2025. Oposição busca apoio europeu, destacando uma postura proaliança ocidental para fortalecer a credibilidade externa.
Na agenda de campanha, Imamoglu defende tornar a Turquia um aliado confiável da OTAN, criticando atrasos na adesão de Suécia e Finlândia, além de sugerir acomodar interesses ocidentais no Mediterrâneo.
A Turquia justifica eventuais hesitações com questões como a presença do PKK na Suécia e acordos sobre a reunificação de Chipre, enfatizando a necessidade de cautela em negociações com países europeus.
Pesquisas indicam que apenas 11% dos turcos veem os EUA como aliado com valores compartilhados, enquanto 42% veem o país como parceiro estratégico. A relação é vista como instrumental para Erdogan.
O cenário atual é interpretado como um encontro entre nacionalismo e política externa assertiva, que fortalece a posição de Erdogan enquanto a oposição busca manter credibilidade junto a eleitores conservadores.
Entre os analistas, há relatos de que a oposição precisa reconquistar eleitores conservadores com políticas de redução de pobreza e desigualdade, sem abrir mão de referências nacionais fortes.
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