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Nova era nuclear começa enquanto o último acordo Rússia-EUA se encerra

Com o New START expirando em poucas horas, EUA e Rússia ficam sem limites, elevando o risco de corrida armamentista com papel da China

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Signing of the New START agreement at Prague Castle
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  • O último acordo nuclear entre Rússia e EUA, o New START, expira em poucas horas, sem indicação de extensão até o momento.
  • Sem um entendimento de última hora, os dois maiores arsenais nucleares do mundo ficarão sem limites pela primeira vez em mais de meio século, o que poderia abrir espaço para aumento de ogivas.
  • Especialistas estimam que a expiração ocorra por volta das 23h00 GMT de quarta-feira, horário em que o tratado foi assinado, em 2010.
  • O presidente dos Estados Unidos sinalizou, anteriormente, que buscaria um acordo melhor se o tratado expirasse; representantes russos ainda não responderam a uma proposta de extensão.
  • Mesmo com a redução histórica de ogivas desde 1986, a Rússia, os Estados Unidos e a China mantêm arsenais e continuam a atualizar armas, o que alimenta a preocupação com uma nova corrida armamentista.

O acordo de controle de armas que ainda restava entre Rússia e Estados Unidos está prestes a expirar nas próximas horas, sem um entendimento definitivo entre as partes. O fim do New START pode abrir caminho para um cenário sem limites formais de armas nucleares entre as duas nações, o que preocupa especialistas.

O tratado, assinado em 2010, regula o número de ogivas implantadas e a atividade de lançadores de mísseis. O risco de uma corrida armamentista envolve também a China, cuja expansão nuclear é tema central de debates internacionais. Faltam informações oficiais sobre uma extensão ou substituição do acordo.

O relógio marcava 2300 GMT na quarta-feira, horário citado por analistas como o limite técnico da vigência do acordo. Sem acordo de prorrogação, EUA e Rússia poderiam ampliar seus arsenais de forma não restrita, segundo especialistas.

Segundo Matt Korda, da Nuclear Information Project, a ausência do pacto não implica automaticamente uma corrida, dada a alta onerosidade da construção de novas armas. Mesmo assim, a eliminação de limites poderia facilitar o aumento de ogivas em mísseis balísticos e bombardeiros pesados.

Apesar dos sinais conflitantes, autoridades russas não indicaram resposta formal dos EUA à proposta de estender as regras do tratado além de seu vencimento. A ausência de um acordo aumenta a incerteza sobre controles verificáveis.

A redução global do estoque de armas nucleares ao longo das décadas contrasta com o ritmo de modernização observado nos dois grandes players. Em 2025, o total de ogivas caiu para cerca de 12 mil, mas EUA e Rússia intensificaram upgrades, e a China ampliou substancialmente seu arsenal nos últimos 10 anos.

Para defensores do controle de armas, o fim do acordo pode prejudicar a confiança mútua, a verificação e a previsibilidade de intenções nucleares. Já os críticos argumentam que tratados limitadores podem frear inovações técnicas e favorecer uma visão de confronto entre grandes potências.

O tema ganhou atenção política nos Estados Unidos, com sinais variados do governo sobre a validade de acordos de longo prazo. Em entrevistas anteriores, líderes apontaram para a necessidade de abordagens que incluam a China nos regimes de controle, ao mesmo tempo em que avaliam o custo-benefício de novos arsenais.

Embora o cenário permaneça incerto, a expiração do New START coloca em evidência o desafio de manter mecanismos de verificação, transparência e limites práticos para arsenais nucleares globais, em meio a tensões estratégicas e mudanças no equilíbrio de poder.

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