- Bobi Wine permanece oculto quase três semanas após alegar que policiais e militares rolaram sua casa em uma batida noturna em 16 de janeiro.
- Os resultados oficiais, contestados por ele, apontam vitória do presidente Yoweri Museveni, que ampliaria seu longos anos no poder.
- Enquanto está escondido, Wine troca farpas nas redes com Muhoozi Kainerugaba, filho de Museveni e chefe das forças armadas.
- Após a eleição, houve prisões de apoiadores da UPN e relatos de violência contra simpatizantes; a esposa de Wine também disse ter sido agredida durante buscas.
- Kainerugaba chegou a fazer declarações consideradas ameaças, depois pediu desculpas; o porta-voz das Forças de Defesa negou que houvesse caça a Wine.
Bobi Wine, principal líder da oposição em Uganda, continua oculto quase três semanas após a eleição contestada, conforme a escalada de uma polêmica entre ele e Muhoozi Kainerugaba, chefe do exército e filho do presidente. Wine afirma ter fugido de uma suposta investida policial-militar em sua residência, ocorrida na noite anterior à sua fuga, e não há informações oficiais sobre seu paradeiro. A disputa pública ocorre enquanto o resultado oficial apontou a vitória de Yoweri Museveni.
A disputa gira em torno das eleições de Uganda, cuja vitória de Museveni é contestada por Wine, que alega fraude em larga escala e pediu protestos. A oposição, liderada pelo Partido Nacional de Uganda (NUP), teve seus apoiadores alvo de prisões após o pleito. Enquanto Wine permanece ausente, suas mensagens nas redes sociais continuam a questionar a legitimidade do processo e a atuação das forças de segurança.
Muhoozi Kainerugaba, de 43 anos, tem trocado mensagens com Wine nas redes sociais. O militar, que também é filho do presidente, ameaçou publicamente o opositor em várias postagens, inclusive mencionando operações contra Wine e sua base. Um conflito que ganhou contornos diplomáticos quando Kainerugaba acusou autoridades da embaixada dos Estados Unidos de facilitar a fuga de Wine, depois retratou as informações como incorretas.
Com Wine em silêncio, analistas sugerem que o opositor pode ter decidido não se submeter ao que descreve como medidas repressivas contra dissidentes. A equipe jurídica de Wine afirma que as declarações de Kainerugaba aumentam o risco de danos inadequados ou até de violência, e pediu atenção de organismos internacionais para garantir a segurança do líder.
Colaboradores da defesa de Wine destacam que não houve confirmação oficial de mandados de captura ou de buscas contínuas, e que autoridades do governo negaram qualquer perseguição direta. O gabinete do exército informou que não está envolvido na captura de Wine, afirmando que há prioridades distintas de segurança nacionais em foco. A situação, no momento, permanece sem desfecho claro.
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