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Elogiar Trump pode ser estratégia política arriscada

A busca por favores de Trump fortalece apoio imediato de líderes latino-americanos, mas pode erodir instituições, comprometer interesses de longo prazo e aumentar dependência externa

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Argentine President Javier Milei shakes hands with U.S. President Donald Trump at a meeting of Trump’s “Board of Peace” during the World Economic Forum annual meeting in Davos, Switzerland.
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  • Líderes conservadores da América Latina passaram a buscar o apoio de Donald Trump, em uma estratégia marcada pela personalização do poder e o afastamento de canais diplomáticos tradicionais.
  • A venezuelana María Corina Machado apareceu como a mais ardente defensora de Trump, chegando a entregar-lhe a sua medalha de Nobel e a popularizar narrativas favoráveis ao presidente americano.
  • Na Argentina, o presidente Jair Milei conquistou o apoio de Trump com a promessa de medidas de apoio financeiro, incluindo linha de crédito, e acabou recebendo a bênção pública do mandatário dos Estados Unidos.
  • Em Honduras, Trump chegou a apoiar publicamente o candidato Tito Asfura minutos antes das eleições, associando adversário a falhas, o que culminou na vitória apertada de Asfura e em debates sobre a intervenção de Washington no pleito.
  • No Peru e no Brasil, sinais de alinhamento com Trump se intensificaram: López Aliaga organizou evento para aumentar visibilidade junto a círculos pró-Trump, enquanto Tarcísio de Freitas, concorrente de Flávio Bolsonaro, elogiou o ex-presidente e cultivou vínculos com o eixo MAGA.

O artigo analisa como conservadores da América Latina buscam ganhar influência em Washington ao demonstrar enorme bajulação ao presidente dos EUA, Donald Trump. A estratégia, descrita como caudilho courtship, é marcada por mensagens personalistas que priorizam Trump em detrimento de instituições.

O fenômeno é observado em vários países da região, onde líderes de direita trocam canais diplomáticos tradicionais por elogios diretos ao MAGA. A prática pode trazer ganhos rápidos, mas também coloca em risco interesses estratégicos de longo prazo.

María Corina Machado,opositora venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2025, tem sido a mais explícita proponente da lealdade a Trump, chegando a repetir narrativas sobre fraude eleitoral. Em resposta, Trump não confirmou apoio imediato a uma transição presidencial venezuelana, ainda que tenha sinalizado possibilidade de envolvimento futuro.

Em Argentina, o presidente Javier Milei conquistou apoio de Trump antes das eleições de 2025, com a promessa de linha de crédito de 40 bilhões de dólares e uma linha cambial de igual montante. A promessa foi condicionada ao desempenho do governo, gerando críticas sobre intervenção externa e pressões sobre o processo eleitoral.

Nações como El Salvador, sob Nayib Bukele, consolidaram laços mais estreitos com o governo norte-americano, com uso de canais diretos e entrevistas para comentar debates internos dos EUA. Bukele também atraiu atenção ao divulgar políticas econômicas e criptomoedas como ponte ideológica com Trump.

Honduras viveu episódio de intervenção explícita, com Trump endossando o candidato Tito Asfura e insinuando sanções a quem não alinhava, após manobras de campanhas envolvendo ex-funcionários de Washington. O resultado apontou vitória apertada de Asfura, gerando controvérsia sobre a legitimidade do apoio externo.

Peru já vê sinais desse manejo político com eventos públicos que visam ampliar a visibilidade de figuras alinhadas a Trump, incluindo homenagens públicas a ativistas e figuras associadas ao movimento conservador americano. A tática busca ampliar presença de correntes pró-Trump no país.

No Brasil, Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro aparecem como principais alternativas de direita, cada um buscando o apoio explícito de Trump. Freitas já usou símbolos e mensagens pró-Mogo, enquanto Bolsonaro mantém laços próximos com círculos da ala direita norte-americana, com foco em garner apoio externo.

A prática de caudilho courtship traz ganhos de curto prazo em acesso aos formuladores de políticas, mas tende a fragilizar estruturas institucionais entre os dois países. O peso recai sobre acordos previsíveis, que passam a depender da leitura pessoal de cada líder no poder.

Especialistas apontam que esse alinhamento pode reduzir a confiança pública na soberania nacional e criar narrativas de dependência, alimentando críticas de opositores que veem a estratégia como oportunista e sem subteto patriótico explícito. Em contextos polarizados, esse tema se torna alvo de ataques políticos internos.

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