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Custos do sucesso da direita e seus impactos

O sucesso da direita normaliza discursos de linha dura e amplia a aceitação de posições extremistas, fortalecendo a fragmentação eleitoral rumo a 2026

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Lula, Tarcísio e Flávio Bolsonaro. Fotos: Ricardo Stuckert / PR; Bruno de Lima / Governo de São Paulo; e Carlos Moura/Agência Senado
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  • A direita mantém influência dominante na política brasileira, influenciando o debate público mesmo em derrotas.
  • Há uma normalização de discurso de direita, com o próprio senso comum aceitando posições antes consideradas radicais.
  • O extremismo tende a ganhar espaço, já que discursos antes tidos como inaceitáveis passam a ser vistos como exercício de liberdade de expressão.
  • Em 2026, a direita está pulverizada em várias candidaturas: Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Renan Santos, além de nomes do PSD como Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Júnior.
  • A ausência de Jair Bolsonaro e a falta de um equivalente ao PT alimentam a incerteza e estimulam a busca por “novos Bolsonaros”, mas o campo enfrenta dificuldades de coordenação e alianças, em meio a um Lula com base consolidada.

A direita dominou o tom da política brasileira na última década, moldando o debate e influenciando eleições, mesmo em derrota. A esquerda atua de forma defensiva, já buscando acomodar demandas para manter sua base, enquanto a direita avança com discursos cada vez mais radicais.

Essa ascensão produz impactos a longo prazo. Primeiro, ocorre a normalização de falas abertamente à direita, com o que era considerado extremo ganhando status de senso comum. Adversários, como a esquerda, passam a ser vistos como desvios, o que pode acuar jornalistas, intelectuais e influenciadores.

Em segundo campo, a identidade com o senso comum favorece a tolerância a discursos antes rejeitados. O que antes era discurso de ódio pode ser apresentado como exercício legítimo da liberdade de expressão de quem alega ser silenciado, ampliando o espaço para diferentes formas de provocação pública.

Cenário eleitoral de 2026

O momento permite à direita adotar retórica e ações extremas, com promessas de “mudar tudo”. A esquerda tenta manter credenciais de institucionalidade e moderação, enquanto a direita recebe de vez em quando o benefício da dúvida para ausentes de moderadores. O terreno cresce com base social e redes internacionais.

A direita aparece dividida entre vários projetos: Flávio Bolsonaro, indicado por segmentos de apoiadores; Tarcísio de Freitas, visto como preferido por elites; Renan Santos, da esfera do MBL, ligada à extrema-direita digital; e o trio de governadores do PSD — Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Júnior — com Romeu Zema também no conjunto. Em geral, há adesão a Bolsonaro entre boa parte dos nomes, com variações de alinhamento.

A dispersão decorre, em parte, da ausência de um candidato único após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro e da falta de um partido de referência de esquerda. A multiplicidade de candidaturas reflete a crença de que a conjuntura favorece a ultradireita, com cada grupo buscando liderar a coalizão entre direita radicalizada e extrema direita.

Desafios e perspectivas

A cooperação entre candidaturas enfrenta dificuldades de coordenação, especialmente diante de um adversário de esquerda com base consolidada em Lula. A logística de alianças e a transferência de votos permanecem incertas, ampliando o risco de fricções entre apoiadores.

No longo prazo, mesmo com possíveis perdas eleitorais, a direita pode consolidar liderança e agenda política, enquanto a esquerda mantém atuação mais cautelosa. A necessidade, porém, é desfazer hegemonia de direita por meio de ações de longo prazo, que transcendam o tempo de eleições e as dinâmicas partidárias.

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