- A CPMI para apurar o escândalo do Master foi protocolada pelo deputado Carlos Jordy, com apoio de 280 parlamentares; a instalação depende de decisão do presidente do Senado.
- Os entraves envolvem resistência política e jurídica, além de histórico de decisões que limitam o alcance de comissões, como direito ao silêncio e sigilo de informações.
- Suspeitas sobre aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, entram no jogo: Alberto Alcolumbre e Jocildo Lemos aparecem ligados a decisões do Amprev que aplicaram recursos no Master, ainda sem investigação formal.
- O caso também envolve figuras do governo, como o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o ex-ministro Jaques Wagner, além de links reportados com o ministro Ricardo Lewandowski, o que aumenta o custo político da apuração.
- O sigilo das investigações do Banco Master permanece incerto; o ministro Dias Toffoli pode liberar parcialmente documentos, e há possibilidade de novas fases da operação Compliance Zero, com impactos na CPMI.
A oposição protocolou nesta terça-feira a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para apurar o escândalo do Master. O requerimento, assinado por Carlos Jordy, aponta a necessidade de apurar a fraude de forma ampla, não fragmentada, para preservar prioridades.
A CPMI conta com apoio de 280 parlamentares, entre deputados e senadores. O objetivo declarado é promover transparência e responsabilização institucional. A oposição sustenta que a apuração precisa ser robusta, independente de ciclos políticos.
Entretanto, o andamento da CPMI depende do aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cuja aliança política passou a ser alvo de investigações ligadas ao Master. Esse eixo político complica, no curto prazo, a viabilidade do colegiado.
Suspeitas sobre aliados de Alcolumbre pressionam CPMI
Alvos do entorno do presidente do Senado aparecem associados a investimentos questionados da Amprev no Banco Master. Entre os citados estão Alberto Alcolumbre, seu irmão, e Jocildo Lemos, ex-diretor da Amprev. Ambos não são alvos formais de investigação até o momento.
Conselheiros da Amprev alertaram para problemas de governança e riscos, recomendando consultar o TCU antes de avançar investimentos. Mesmo assim, a Amprev investiu cerca de R$ 100 milhões no Master, dentro de um total de aproximadamente R$ 400 milhões.
A PF e o Ministério Público do Amapá investigam se as advertências foram consideradas. A depender dos resultados, o cenário político pode ganhar peso em futuras audiências da CPMI.
Envolvimento de aliados do governo amplia custo político da investigação
O envolvimento de figuras associadas ao governo federal elevou a sensibilidade do caso. Relatos atribuídos a Vorcaro indicam ligações com figuras históricas do PT e decisões de integrantes da gestão atual.
Entre os pontos destacam-se a atuação de Guido Mantega como consultor do Master, com remuneração elevada, segundo levantamento da imprensa. O ex-ministro afirmou que não houve irregularidades.
Jaques Wagner confirmou ter indicado Kenned Lewandowski para uma posição, e admitiu conhecimento de Vorcaro, sem participação financeira nas decisões. A relação entre Lewandowski e o caso também é mencionada em reportagens. O ex-ministro negou participação prática nas operações.
Incertezas sobre o sigilo de investigações podem limitar alcance das apurações
A definição sobre o sigilo das apurações do Master é vista como estratégica. A expectativa é de que o ministro Dias Toffoli libere parte do segredo, mantendo informações essenciais sob sigilo.
A liberação parcial pode ampliar a transparência, mas limitar o debate público sobre personagens relevantes. O STF pode manter o caso no tribunal ou devolver à primeira instância, com base em diligências da Polícia Federal.
O andamento também envolve tensões internas na Suprema Corte sobre a condução das investigações e o futuro do processo. A decisão impacta o horizonte da CPMI caso seja instalada.
Precedentes da CPMI do INSS mostram como decisões do STF podem esvaziar investigações
A CPMI do INSS, instaurada em 2025, é citada como parâmetro para eventuais impactos no Master. Decisões do STF limitaram depoimentos e o alcance de sigilos.
Em um episódio, o STF retirou a quebra de sigilo bancário de Vorcaro do âmbito da CPMI do INSS, o que foi visto como entrave aos trabalhos. O tema gerou críticas sobre pressões políticas para frear a apuração.
Outras decisões asseguraram o direito ao silêncio de investigados, reforçando o desafio de conduzir uma CPMI robusta. A experiência do INSS serve como referência para o debate sobre o Master.
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