- Emirados Árabes Unidos pediu que a retomada das negociações entre EUA e Irã resulte em uma solução de longo prazo para evitar mais confrontos na região.
- As negociações sobre o programa nuclear deverão ocorrer em Istambul, na Turquia, nesta sexta-feira, com participação de autoridades dos dois lados e de países da região.
- Uma fonte diplomática iraniana disse que a defesa do Irã é não negociável e que o país está pronto para qualquer cenário.
- Anwar Gargash, assessor do presidente dos Emirados, afirmou que a região não precisa de mais guerra e defendeu negociações diretas entre Irã e Estados Unidos.
- Analistas e autoridades iranianas dizem que os EUA buscam limitar o programa de mísseis balísticos e o apoio a proxies, condições que Teerã rejeita como violação de sua soberania.
DUBAI, 3 de fev — A UAE pediu que EUA e Irã usem a retomada das negociações nucleares para buscar uma solução duradoura, evitando mais uma escalada de tensões na região. O objetivo é impedir o retorno de conflitos bélicos e reduzir ameaças de ataques.
Segundo a Reuters, Irã e EUA devem discutir o programa nuclear nesta sexta-feira, em Istambul. O evento ocorre após meses de aumentos de movimentação militar na região e promessas de Washington de pressionar por concessões de Teerã.
Uma fonte próxima às conversas informou que Jared Kushner participaria das negociações, ao lado do enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. Representantes de outros países da região também são esperados.
Um diplomata iraniano afirmou que a posição de Teerã nas negociações não é nem otimista nem pessimista. O emissário ressaltou que a defesa do Irã é inegociável e que o país está preparado para qualquer cenário.
Gargash: solução de longo prazo é necessária
Anwar Gargash, conselheiro do presidente dos Emirados Árabes, destacou que o Oriente Médio não pode enfrentar mais um conflito. Em palestra na World Governments Summit, em Dubai, ele defendeu negociações diretas entre Irã e EUA para chegar a entendimentos estáveis.
Segundo o conselheiro, é essencial que o Irã reconstrua a relação com Washington para viabilizar um acordo geoestratégico que atenda aos interesses de ambos e possa ajudar a economia iraniana, pressionada por sanções.
Pontos em discussão e clima regional
Fontes regionais afirmam que Washington busca limitar o programa de mísseis balísticos do Irã, visto por Teerã como parte da sua defesa. O Irã já afirmou que não aceitaria pré-condições para as negociações.
A reunião de Istambul visa reduzir temores de uma nova guerra na região. A proximidade de bases norte-americanas no Oriente Médio também preocupa aliados, que buscam desescalar o nível de conflito.
Imagens de satélite recentes indicam pouco sinal de reconstrução em áreas atingidas, como Isfahan e Natanz, após ataques anteriores. As informações ajudam a moldar a percepção internacional sobre o andamento das sanções e das respostas militares.
Contexto e próximos passos
Analistas ressaltam que a prioridade é evitar confronto e reativar a diplomacia. Países da região, incluindo Paquistão, Arábia Saudita, Catar, Egito, Omã e Emirados, foram convidados para a discussão, buscando apoio regional para um acordo duradouro.
Diversos observadores destacam que o Irã planeja manter o controle sobre suas capacidades defensivas, incluindo o programa de mísseis, enquanto negocia condições para qualquer acordo. O desenrolar das negociações permanece incerto.
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